KERYGMA



O ANUNCIO QUERIGMATICO HOJE 

Quando se pensa a missão da Igreja neste terceiro milênio, e se percebe que há um grande número de batizados que não foram evangelizados, bem como um grande número de pessoas que ainda não receberam o anúncio de Jesus Cristo, torna-se necessária a descoberta de novos caminhos e de novos métodos para a ação evangelizadora.
Neste âmbito, portanto, é preciso ter presente e conhecer a tradição bi-milenar da Igreja com sua diversidade riquíssima e exemplar de como evangelizar.
Em nenhum caso e em nenhum método pode faltar a experiência de fé e o testemunho do evangelizador e da comunidade cristã. Sem a palavra e o exemplo de cristãos tocados no mais profundo de suas vidas pelo encontro com Jesus Cristo, os métodos mais detalhados e sofisticados podem significar muito pouco. É uma exigência e uma necessidade que a Palavra do Evangelho se torne palavra encarnada na vida daqueles que abraçaram a fé em Jesus como o Cristo, e o anunciam missionariamente.
A atenção à santidade do evangelizador, proposta pelo Papa João Paulo II ao indicar a santidade como prioridade pastoral para o terceiro milênio (cf. NMI, n. 30), conta e é determinante na ação evangelizadora. Somente no horizonte de uma vida pautada pelo seguimento de Cristo e pelo anúncio do seu nome é que o testemunho do cristão pode se tornar crível e despertar outros para o mesmo seguimento. Portanto, a ação evangelizadora da Igreja precisa qualifi carse na escola do discipulado e da missão (Cf. DAp, n. 170).
Diante da indiferença e do ceticismo hodiernos, são urgentes a proclamação do querigma e a força interpelante de um claro testemunho que desperte a esperança e ofereça uma certeza sobre o valor positivo da vida e do seu destino.
Jesus é o exemplo completo, o modelo fundamental. Seu Evangelho é anunciado por obras e palavras (cf. Lc 7,22). Ele percorre aldeias e cidades ensinando, curando, expulsando demônios e fazendo o bem (cf. Mt 4,23; 9,35; At 10,38). Sua fama atrai as pessoas até Ele. Jesus encontrasse diretamente com elas, e estas se sentem interpeladas e amadas. De modo semelhante, os apóstolos Pedro e Paulo, e as comunidades cristãs que se espalharam pelo mundo então conhecido, procedem desta maneira. Tocados pelo ardor da experiência de Cristo, anunciam-no destemidamente a todos. Tornam-se permanentes proclamadores do querigma, mestres e testemunhas de uma paixão que inundava toda a vida contagiando seus interlocutores e destinatários do anúncio. Por isso, tornam-se educadores e formadores de outros discípulos missionários.
A linguagem do querigma, portanto, há de expressar a novidade de um encontro que transforma e dá sentido à existência dos discípulos missionários. Assim, o evangelizador está permanentemente diante do desafio e da exigência de encontrar uma linguagem que, no estilo dos primeiros discípulos, interpele o ouvinte em seu coração, o entusiasme e o atraia a uma adesão firme e apaixonada a Jesus Cristo.

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