CONSTITUIÇÕES



CONSTITUTIÇÕES E NORMAS
DOS MISSIONÁRIOS DA PALAVRA

Fundado em 2005



PARTE I
INTRODUÇÃO
NOSSA FAMÍLIA RELIGIOSA
PRINCÍPIOS GERAIS
NOSSO "CAMINHO" (CF. AT 9,2)


[1]     [Intenção] Os Missionários da Palavra confessam que Deus é o Senhor e Pai de todas as coisas, princípio e fim de todas elas, que seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor se encarnou, morreu e ressuscitou para salvar a todos os homens, que o Espírito Santo é Senhor e doador de vida e que, para glória da Santíssima Trindade, maior manifestação do Verbo Encarnado e honra da Igreja fundada por Cristo “permanece na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”[1], queremos dar o “testemunho de que o mundo não pode ser transformado nem oferecido a Deus sem o espírito das bem-aventuranças”[2]. Peçamos a Santíssima Virgem Maria que nos alcance a graça de perseverar neste propósito até a morte.
[2]     Os Missionários da Palavra desejam viver em um estado que “imita mais de perto e representa perpetuamente na Igreja aquela forma de vida que o Filho de Deus escolheu ao vir ao mundo…[3], na prática dos conselhos evangélicos, contribuindo assim “para revelar a rica natureza e o dinamismo polivalente do Verbo de Deus encarnado…”[4].
[3]     [Nome] Aspiramos que nossa família religiosa se distinga e seja chamada “Missionários da Palavra” já que nos aproximamos do segundo milênio desse acontecimento, que é maior que a criação do mundo e que não pode ser superado por nenhum outro.
[4]     [Fim universal] O fim que nos propomos é duplo. Por um lado, buscar a glória de Deus e a salvação das almas dos nossos irmãos e irmãs – praticando, especialmente, as virtudes que mais nos fazem participar do aniquilamento de Cristo[5].
[5]     [Fim específico] Por outro lado, os Missionários da Palavra comprometem todas suas forças para inculturar o Evangelho, ou seja, para prolongar a Encarnação em “todo homem, em todo o homem e em todas as manifestações do homem”[6], de acordo com os ensinamentos do Magistério da Igreja [7]. A respeito ensina o papa João Paulo II: “O termo ‘aculturação’ ou ‘inculturação’ por mais neologista que seja, expressa a maravilha de um dos elementos do grande mistério da Encarnação”[8].
[6]     [A consagração mediante os votos] Os Missionários da Palavra para realizar com maior perfeição o serviço de Deus e dos homens, comprometemo-nos com os três votos de: castidade pelo Reino dos céus (Mt 19,12); pobreza, vende quanto tens (Mc 10,21); e obediência, é melhor que os sacrifícios (1 Re 15,22), para seguir mais intimamente ao Verbo Encarnado em sua castidade, pobreza e obediência. Porém ainda professamos um quarto voto, o de missionariedade, nos comprometendo em viver sempre em missão e a missão do Verbo Encarnado, como também prometendo a viver sempre nesse Instituto.
[7]     [Fundamento] Nós, Missionários da Palavra queremos fundar-nos em  Jesus Cristo, que veio em carne (1 Jo 4,2), e só em Cristo, e Cristo sempre, e Cristo em tudo, e Cristo em todos, e Cristo Todo, porque a rocha é Cristo[9] e ninguém pode pôr outro fundamento (1 Cor 3,11). Queremos amar e servir, e fazer amar e fazer servir a Jesus Cristo: a seu Corpo e a seu Espírito. Tanto ao Corpo físico de Cristo na Eucaristia, quanto ao Corpo místico de Cristo, que é a Igreja: formada por nós mesmos que, pela santidade de vida, devemos chegar a ser “outros Cristos” e por todos os homens nos quais vemos o mesmo Cristo, em especial, os pobres, os pecadores e os inimigos. Queremos ser “como outra humanidade sua”[10], queremos ser cálices cheios de Cristo que derramam sobre outros sua superabundância, queremos com nossas vidas mostrar que Cristo vive. E ao Espírito de Cristo porque é a alma da Igreja e porque se alguém não tem o Espírito de Cristo, este não é de Cristo (Rom 8,9).
[8]     [Espiritualidade] A respeito, consideramos que nossa espiritualidade deve estar profundamente marcada por todos os aspectos do mistério da Encarnação: a) respeito à origem, b) às naturezas, c) à união das mesmas, d) ao fim.
[9]    a) Quanto ao princípio: os Missionários da Palavra devem ter profunda e           radical devoção a Santíssima Trindade, princípio ativo da Encarnação; e a quem se apropria a mesma: ao Pai enquanto que é princípio do Filho –Eu saí e venho de Deus (Jo 8,42)– e ao Espírito Santo enquanto que é o Amor pessoal de que procedem todas as obras divinas –por obra e graça do Espírito Santo[11]. Daí também se deriva a primazia do espiritual em todo nosso pensar, sentir e proceder, já que Deus é o que obra em vós o querer e o obrar segundo sua vontade (Flp 2,13), e porque é claríssimo o ensino do Verbo encarnado: Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado (Mt 6,33). Total abandono à vontade de beneplácito de Deus a exemplo da Virgem Maria: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo sua palavra (Lc 1,38).
[10]   b) Quanto às naturezas, divina e humana: Os Missionários da Palavra desejam viver intensamente as virtudes da transcendência: fé, esperança e caridade, a fim de ser sal… ser luz (Mt 5,13ss) para não ser do mundo[12]. Daí a necessidade de oração incessante – orai sem cessar (1 Tes 5,17)– e das purificações dos sentidos e do espírito, ativas e passivas; se não fizeres penitência, todos igualmente perecereis (Lc 13,3).
[11]   Os Missionários da Palavra desejam viver intensamente as virtudes do abaixamento: humildade, justiça, sacrifício, pobreza, dor, obediência, amor misericordioso…, em uma palavra tomar a cruz[13].
Há que estar no mundo[14] e assumir em Cristo todo o humano, já que “o que não é assumido não é redimido”[15] “e se constitui em um ídolo novo com malícia velha”[16]. O tempo ilumina os sacerdotes a modo de diretores espirituais, e forma aos leigos para que eles “tratem e ordenem segundo Deus, os assuntos temporais”[17]. Não assumindo “matéria” inassumíveis como o pecado, o engano, a mentira, o mal: abstende-vos até da aparência de mal (1Tes 5,22).
[12]   c) Quanto à união: o centro da vida dos Missionários da Palavra é Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, quem em sua única pessoa divina une ambas naturezas; por isso que em verdade confessamos o Verbo se fez carne (Jo 1,14), é mediador entre Deus e os homens (1 Tim 2,5) e é o Único que tem palavras de vida eterna[18]. É a pessoa término da Encarnação. De maneira particular deve manifestar-se nossa devoção a Jesus Cristo no mistério da Encarnação; em seu segundo aniquilamento do mistério da Paixão –supremo ato sacerdotal– que, por contraste, faz-nos admirar mais a profunda “Kénosis”[19] da Encarnação; e no mistério de sua Segunda Vinda, que constituirá a plenitude da Primeira Vinda. Intimamente unido ao mistério da piedade, que se manifestou em carne (1 Tim 3,16) e, portanto, a nosso amor, estão as três coisas brancas da Igreja: a Eucaristia que prolonga, por obra do sacerdócio católico, a Encarnação sob as espécies de pão e vinho; a Santíssima Virgem Maria, que deu o sim para que de sua carne e sangue o Verbo se fizesse carne[20]; e o Papa, presença encarnada da Verdade, da Vontade e da Santidade de Cristo.
[13]   Os Missionários da Palavra terão que abraçar a prática das virtudes aparentemente opostas, contra toda falsa dialética; terá que respeitar, sem misturar, as essências das virtudes; terá que evitar toda falsa duplicidade praticando a veracidade, a fidelidade, a coerência e a autenticidade de vida, contra toda falsidade, infidelidade, simulação e hipocrisia; terá que restaurar, integralmente, em Cristo, todas as coisas. Porque é necessário que Ele reine até que ponha todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. (1 Cor 15,25), O desígnio de reunir em Cristo  todas as coisas, as que estão nos céus  e as que estão na terra (Ef 1,10).
[14]   d) Quanto ao fim: os Missionários da Palavra querem, em Cristo, buscar a glória de Deus e o bem integral do homem. O Pai ao introduzir o seu Primogênito no mundo[21] manifesta sua glória: nós vimos sua glória (Jo 1,14) e em tudo queremos ter reta intenção: façam tudo para glória de Deus (1 Cor 10,31).
[15]   Como “todo homem é em certo sentido a via da Igreja”[22] e “o mistério do homem só se esclarece à luz do mistério do Verbo Encarnado”[23], queremos trabalhar por seu bem integral descobrindo-lhe sua natureza, sua dignidade, sua vocação, seus direitos inalienáveis, sua liberdade, seu destino eterno obtendo a meta da fé, a salvação das almas[24]. Tudo o que conduza à visão de Cristo formado[25] nos homens, será para nós objeto de máxima atenção e ação apostólica.
[16]   [Apostolado] De maneira especial, os Missionários da Palavra se dedicarão a pregação da Palavra de Deus mais cortante que espada de dois gumes (Hb 4,12) em todas suas formas. No estudo e no ensino da Sagrada Escritura, a Teologia, os Santos Padres, a Liturgia, a Catequese, o Ecumenismo, etc. Na realização de missões populares, exercícios espirituais, educação e formação cristã de crianças e jovens e obras de caridade com os mais necessitados (crianças abandonadas, deficientes, doentes, anciões), etc. Na busca e formação de idôneos ministros da Palavra, na publicação de revistas, tratados, livros, etc., e em outras coisas. Pelo verbo oral e escrito queremos prolongar ao Verbo.
[17]   [Escravidão Mariana] Os Missionários da Palavra manifestam seu amor e agradecimento a Santíssima Virgem ao mesmo tempo obter sua ajuda imprescindível para prolongar a Encarnação em todas as coisas, fazendo um quarto voto de escravidão Mariana segundo São Luis Maria de Montfort. O espírito de nossa família religiosa não quer ser outro que o Espírito Santo, e si se degenerar em outro, a partir de agora e desde qualquer lugar, comprometemos nossa súplica para que o Senhor o borre da face da Igreja.
[18]   [Fidelidade ao Espírito Santo] Só na mais absoluta fidelidade ao Espírito Santo se pode usar destramente da espada do Espírito que é a Palavra de Deus (Ef 6,17). Nosso pobre alento unicamente é fecundo e irresistível se estiver em comunicação com o vento do Pentecostes.
[19]     Para alcançar esta disposição de suma, total e irrestrita docilidade ao Espírito Santo, que é o Espírito de Cristo[26], necessitamos que a Santíssima Virgem seja o modelo, a guia, a forma de todos nossos atos, pelo  o qual, com todas as forças da alma, e do coração, hoje e sempre, digamos “Totus tuus”, Maria![27].

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[1] LG, 8.
[2] LG, 31.
[3] LG, 44.
[4] João Paulo II, Discurso ao Conselho da União de Superiores Gerais (26/11/1979), p. 2; OR (23/12/1979), p. 13.
[5] Cf. Flp 2,7-8; PC, 5.
[6] Cf. Paulo VI, Ecclesiam Suam, nº 23-24.
[7] Em especial: GS, 53-62; EN, 20; CT, 53; etc.
[8] Discurso à Comissão Pontifícia Bíblica (26/04/1979); OR (12/08/1979), p. 11.
[9] Cf. 1 Cor 10,4.
[10] Santa Elizabete da Trindade, Elevações, Elevação nº 34.
[11] Missal Romano, Credo; Dz 7.
[12] Cf. Jo 17,16.
[13] Cf. Mt 16,24.
[14] Cf. Jo 17,11
[15] Santo Irineu, citado no Documento de Puebla, nº 400.
[16] Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, Documento de Puebla (1979), nº 400, 469.
[17] Cf. LG, 31.
[18] Cf. Jo 6,68.
[19] Cf. Flp 2,7.
[20] Cf. Jo 1,14.
[21] Cf. Heb 1,6.
[22] RH, 13; DM, 1.
[23] GS, 22.
[24] Cf. 1 Ped 1,9.
[25] Cf. Gal 4,19.
[26] Cf. Rm 8,9.
[27] São Boaventura, (inter opera) Psalt maius, Canticum ad instar illius, Is 12 (Opera omnia - Vives, París 1868) t. 14, 221 a.b.; São Luís Maria Grignion de Montfort, VD, nº 216; Lema episcopal de João Paulo II.

PARTE II
NATUREZA E FIM DO INSTITUTO
Artigo 1: Natureza
[20]   Os Missionários da Palavra em nome de Cristo querem constituir uma família religiosa em que seus membros estejam dispostos a viver com todo radicalismo as exigências da Encarnação e da Cruz, do Sermão da Montanha e da Última Ceia. Onde se possam viver os aniquilamentos de Nazaré e do Calvário, onde se entre nas confidências do Tabor e do Getsêmani. Onde se experimente a paternidade do Pai, a irmandade do Filho e a inabilitação do Espírito Santo, amando-nos de tal maneira uns aos outros por sermos filhos do mesmo Pai, irmãos do mesmo Filho e templos do mesmo Espírito Santo, que formemos um só coração e uma só alma (At 4,32).
[21]   Os Missionários da Palavra aspiram a consagrar-se a Deus pela profissão dos conselhos evangélicos, formando um instituto religioso, emitindo votos públicos, vivendo uma vida fraterna em comum, inserido na vida da comunidade, porém com suas reservas próprias dos religiosos, de tal modo que todos os membros possam tender à perfeição de seu estado[28]. Mas sem excluir a possibilidade de que se integrem harmoniosamente a nossa família, religiosos que não sejam sacerdotes, como do mesmo modo, ter unidos a nós associações de fiéis que queiram viver em genuíno espírito de família segundo sua vocação laical[29].
[22]   Queremos dedicar-nos às obras de apostolado, imitando a Cristo que “anunciava o Reino de Deus”[30], sob a direção de clérigos e assumindo o exercício da Ordem sagrada[31]. Alguns membros de nosso Instituto levam uma vida exclusivamente contemplativa, ou monástica ou eremita. Deste modo não excluímos a possibilidade de que alguns dos membros do ramo apostólico possam levar por um tempo determinado um tipo de vida mais contemplativa, já que “um momento de verdadeira adoração tem mais valor e fruto espiritual que a mais intensa atividade, embora se tratasse da mesma atividade apostólica”[32].
Artigo 2: Fim comum, próprio e específico
[23]   Os Missionários da Palavra como todo Instituto de vida consagrada, tanto religioso como secular[33], temos um fim universal e comum – que denominamos vocação – pelo que queremos seguir mais de perto a Cristo sob a ação do Espírito Santo, nos dedicando totalmente a Deus como a nosso amor supremo, para que entregues por um novo e peculiar título a sua glória, à edificação da Igreja e à salvação do mundo, consigamos a perfeição da caridade, e pela caridade que conduz a profissão dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza, obediência e missionariedade, unir-nos de modo especial à Igreja e a seu mistério[34].
[24]   Deste modo tendemos ao fim próprio de todo Instituto de vida religiosa, o qual não é outro que a consagração total de nossa pessoa, manifestando o desposório admirável estabelecido por Deus na Igreja, sinal da vida do Céu. Assim consumaremos a plena doação de nós mesmos como sacrifício devotado a Deus, pelo qual toda nossa existência se faz culto contínuo a Deus na caridade.
[25]   Isto se manifesta em que formamos uma família[35], emitimos votos públicos e vivemos vida fraterna em comum; e o testemunho público que devemos dar implica um afastamento do mundo[36]. Para viver segundo o Espírito Santo, necessariamente terá que se separar do espírito do mundo: O Espírito da verdade… o mundo não o pode receber, porque não lhe vê nem lhe conhece (Jo 14,17).
[26]   Finalmente queremos, como fim específico e singular, dedicar-nos à evangelização da cultura, quer dizer, trabalhar para “transformar com a força do Evangelho

     -os critérios de julgamento,
     -os valores determinantes,
     -os pontos de interesse,
     -as linhas de pensamento,
     -as fontes inspiradoras,
     -os modelos de vida da humanidade “[37];

“para que estejam imbuídos da força do Evangelho

     -os modos de pensar,
     -os critérios de juízo,
     -as normas de ação “[38],
pois não podemos esquecer que o Concílio Vaticano II assinalou que: “O divórcio entre a fé e a vida diária de muitos deve ser considerado como um dos mais graves enganos de nossa época”[39] e isso se deve em grande medida a que o mundo “se foi separando e distinguindo, nestes últimos séculos, do tronco cristão de sua civilização”[40], o qual conduziu a descristianização da cultura.
[27]   Os Missionários da Palavra para isso tomam, especialmente, como elementos fundamentais para permear com o Evangelho as culturas, os ensinamentos da Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II[41]; as Exortações Apostólicas Evangelii nuntiandi[42] e Catechesi Tradendae[43]; o discurso do Papa João Paulo II a UNESCO[44] e outros sobre o mesmo tema[45]; o Documento de Puebla[46], a Carta Encíclica Slavorum Apostoli, a Carta Encíclica Redemptoris missio, a Exortação Apostólica Postsinodal Pastores dabo vobis, N. 55, c; e todas as futuras diretivas, orientações e ensinamentos do Magistério ordinário da Igreja que possam dar-se no futuro sobre o fim específico de nossa pequena família religiosa.
[28]   Os Missionários da Palavra desde já expressam que desejamos obter a mais filial e fraterna relação com o Conselho Pontifício para a Cultura, em ordem a obter uma maior e melhor concreção da finalidade do Instituto.
Artigo 3: Índole
 [29]  Os Missionários da Palavra consideram que alguns dos meios mais importantes para alcançar o fim estabelecido é trabalhar sobre os pontos de inflexão da cultura, ou seja: as famílias, a educação –em especial a seminarística, a universitária e a terciária–, os meios de comunicação social e os homens de pensamento ou “intelectuais”, no que faz à iniciação e chamada, desenvolvimento, discernimento, formação, consolidação, acompanhamento e posterior exercício da vocação ao apostolado intelectual.
Artigo 4: Carisma
[30]   Pelo carisma próprio do Instituto, todos seus membros devem trabalhar, em suma docilidade ao Espírito Santo e dentro da figura de Maria, a fim de conduzir para Jesus Cristo todo o autenticamente humano, até nas situações mais difíceis e nas condições mais adversas.
[31]   Quer dizer, é a graça de saber como realizar a obra, em concreto, para prolongar a Cristo nas famílias, na educação, nos meios de comunicação, nos homens de pensamento e em toda outra legítima manifestação da vida do homem. É o dom de fazer que cada homem seja “como uma nova Encarnação do Verbo”[47], sendo essencialmente missionários e Marianos.
Artigo 5: Missão
[32]   A missão, recebida do fundador, e sancionada pela Igreja, é levar a plenitude as conseqüências da Encarnação do Verbo, que “é o compêndio e a raiz de todos os bens”[48], em especial, ao amplo mundo da cultura, ou seja, à “manifestação do homem como pessoa, comunidade, povo e nação”[49].
Artigo 6: Espírito
[33]   O Espírito que anima ao Instituto desde seus começos e que deve determinar seu próprio rosto dentro da Igreja é o espírito de fé e de amor com o que devem viver todos seus membros o mistério do Verbo Encarnado, e a referência do mesmo a toda criatura: “o Verbo expressa não só ao Pai, mas também a todas as criaturas… (das que) é expressivo e operativo”[50].
[34]   É viver e fazer viver sob a ação do Espírito Santo, sem coações de nenhuma espécie, respeitando escrupulosamente as consciências, promovendo o são pluralismo, levando a viver plenamente a liberdade dos filhos de Deus[51] porque onde está o Espírito Santo, ali está a liberdade (2Cor 3,17). Sem esquecer jamais que o Reino de Deus… é justiça, é alegria e é paz no Espírito Santo (Rm 14,17).
[35] Para os Missionários da Palavra pouco ou nada nos interessa estender-nos por muitos países ou ter numerosos membros, se perdermos o espírito. Só à Igreja Católica, na pessoa de Pedro e seus sucessores está prometida a infalibilidade e a indefectibilidade. Não perderemos o espírito contanto que sejamos fiéis a Ela e se observe a vontade e intenções do fundador em tudo o que constitui o patrimônio do Instituto[52].
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[28] Cf. CIC, c. 598, § 2.
[29] Cf. CIC, c. 677.
[30] CIC, c. 577.
[31] Cf. CIC, c. 588, § 2.
[32] João Paulo II, Discurso aos Superiores Gerais das Ordens e Congregações religiosas (24/11/1978), 4; OR (3/12/1978), p. 10.
[33] Cf. CIC, Normas comunes a todos los Institutos de vida consagrada, cc. 573-606.
[34] Cf. CIC, c. 573.
[35] Cf. CIC, De los Institutos religiosos, cc. 607-709.
[36] Cf. CIC, c. 607.
[37] EN, 19.
[38] João Paulo II, Constitução Apostólica Sapientia Christiana, sobre as Universidades e Facultades Eclesiásticas (15/04/1979), 1; OR (03/06/1979), p. 7.
[39] GS, 43.
[40] ES, 14.
[41] Segunda parte, cap. 2, 53-62.
[42] Cf. EN, 20.
[43] Cf. CT, 53.
[44] Discurso à Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (02/06/1980); OR (15/06/1980), p. 11-14.
[45] Cf. Coferência dos bispos de Zaire reunidos em Kins­hasa (03/05/1980), 4-6; OR (11/05/1980), p. 6, 7; Discurso à Conferên­cia Episcopal no Kenia, Nairobi (07/05/1980), 6; OR (18/05/1980), p. 13, 14; Conferência aos Bispos na Catedral de Delhi, Índia (01/02/1986), 5; OR (09/02/1986), p. 4, 5; Conferência aos fiéis durante a Celebração da Palabra, no cam­po de Chambacú, Cartagena, Colômbia (06/07/1986), 7-8; OR (20/07/1986), p. 11, 12.
[46] Cf. 385-443.
[47] Santa Elizabete da Trindade op. cit., Elevação nº 33.
[48] São João Crisóstomo, In Matt. Hom., II, 3.
[49] João Paulo II, Discurso aos homens da cultura em ocasião do jubileo da Redenção (15/12/1983), 3; OR (25/12/1983), p. 6.
[50] Santo Tomás de Aquino, S. Th., I, 34, 3
[51] Cf. Rom 8, 21.
[52] Cf. CIC, c. 578.
PARTE III
ESPIRITUALIDADE
[36]   Introdução. Nossa espiritualidade quer estar ancorada no mistério sacrossanto da Encarnação, o mistério do Verbo feito carne no seio da Santíssima Virgem Maria. De modo tal que podemos dizer que nossa espiritualidade se deriva da Pessoa do Verbo e de sua Mãe, para que, no Espírito Santo, possamos unir-nos ao Pai. Da explanação do mistério do Verbo encarnado brotam todos os princípios da vida espiritual de nosso Instituto, conforme consta no Diretório de Espiritualidade.
[37]   Primazia de Jesus Cristo. Em nossas vidas e ações deve sobressair “o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino e o mistério de Jesus de Nazaré Filho de Deus[53], de tal maneira vividos que não devemos antepor nada a seu amor.
 [38]  Preexistência da pessoa do Verbo. Confessando a eternidade, distinção e divindade da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, queremos alimentar nosso desejo de abandonar-nos inteiramente à vontade de beneplácito de Deus, nosso amor à Trindade e aos homens criados por Deus a sua imagem e semelhança[54].
[39]   O mistério do Verbo Encarnado. Sua Primeira Vinda gerada pelo Espírito Santo nas entranhas da Virgem nos deve levar a suma docilidade ao mesmo Espírito e amor íntimo a sua Mãe e nossa Mãe. Apoiados no mistério da Encarnação, gerado pelo Espírito na Virgem Maria, devemos cantar sempre as misericórdias de Deus[55] porque “pela Encarnação do Verbo se faz acreditável a imortalidade da felicidade”[56], devemos ter clara consciência de que sem Jesus Cristo nada podemos[57], e devemos inclinar, com todas nossas forças, a adiantar sempre na virtude.
[40]   Jesus Cristo é o “Caminho” para ir ao Pai e ninguém vai ao Pai senão por Ele[58]. Tem o único nome pelo qual podemos ser salvos (At. 4,12). É o que faz que a Igreja seja um “sacramento, ou seja, sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano” [59]. É o que sustenta todos os dogmas da Igreja, já que é “a verdade que inclui todas as demais”[60]. É o que nos mostra a primazia e o peso da eternidade sobre toda realidade temporal. Saber que Jesus é verdadeiro Deus nos deve mover a praticar as virtudes da transcendência: fé, esperança e caridade, a dar importância insubstituível à vida de oração e à necessidade das purificações ativas e passivas do sentido e do espírito. O fazer-se homem é “o primeiro e fundamental mistério de Jesus Cristo”[61] e “Deus não esteve nunca tão próximo do homem –e o homem jamais esteve tão próximo a Deus– como precisamente nesse momento: no instante do mistério da Encarnação”[62]. Saber que Jesus é verdadeiro homem nos deve mover a considerar que nada do autenticamente humano nos é estranho sabendo-o assumir[63], a amar nele a todo homem e a todo o homem, a praticar as virtudes mortificativas do aniquilar-se. Saber que nele se unem indissoluvelmente ambas naturezas nos deve mover a reconhecer a dupla realidade de graça e natureza, sem mistura do mal, a praticar as virtudes aparentemente opostas, sem cair em falsos dualismos, o superior assumindo o inferior. Saber procurar sempre a maior gloria de Deus e a salvação dos homens, que é o fim da Encarnação.
[41]   Sua Vida terrena. Desde o mesmo instante da encarnação nos dá exemplo de entrega sacerdotal ao Pai, que devemos imitar; no seio de Maria já estamos presentes pelo princípio de koinonía nos ensinando a depender totalmente de sua Mãe; em sua Vida oculta nos ensina a crescer, a trabalhar, a fazer silêncio, a estar sujeitos[64], a viver com alegria festiva[65]; todas suas palavras e todas suas ações são alimento para nossa espiritualidade.
[42]   Sua saída deste mundo. Para os Missionários da Palavra de maneira especial, o mistério Pascal de nosso Senhor é fonte inesgotável de espiritualidade. Sua Paixão, Morte, descida aos infernos, Ressurreição, devem iluminar sempre as nossas vidas. Devemos ser especialistas na sabedoria da cruz, no amor à cruz e na alegria da cruz.
[43]   Sua Vida gloriosa. Para os Missionários da Palavra o fato esplêndido de que Cristo ressuscitou nos deve levar a viver como ressuscitados, a viver segundo a Nova Lei –o Espírito Santo–, a liberdade dos filhos de Deus própria do homem novo, com imensa alegria, em especial no domingo, sabendo fazer festa, com grande compromisso pela missão.
[44]   Sua Vida mística. É a maravilha da Igreja, Corpo de Cristo, alimentada pela Palavra de Deus, Una, Santa, Católica – missionária e ecumênica–, Apostólica, enriquecida e apoiada nas três coisas brancas.
[45]   Sua segunda Vinda. A certeza de que o Senhor está vindo e que até Ele estamos caminhando. Um dia voltará em poder e majestade, ressuscitará aos mortos, presidirá o juízo final e a inovação do universo.
[46]   Todas as outras partes das Constituições estão inspiradas no Diretório de Espiritualidade e se entendem à luz do mesmo. Quisemos dar uma preponderância absoluta à parte espiritual porque entendemos que assim o pede nosso carisma, de tal modo que deve considerar-se como texto doutrinal que sirva de fundamento para os artigos constitucionais e ponto de referência para as possíveis modificações que os tempos vão exigindo e para aplicar as Constituições às novas circunstâncias.
[47]   Enfim, quiséramos que nossa espiritualidade pudesse ser sintetizada assim:
         Não Jesus ou Maria; não Maria ou Jesus.
               Nem Jesus sem Maria; nem Maria sem Jesus.
               Não só Jesus, também Maria;
                         nem só Maria, também Jesus.
               Sempre Jesus e Maria; sempre Maria e Jesus.
               A Maria por Jesus: Eis aí a tua Mãe (Jo 19,27).
               A Jesus por Maria: Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo 2,5).
               Primeiro, Jesus, o Deus-homem;
                         mas logo Maria, a Mãe de Deus.
               Ele, Cabeça; Ela Pescoço; nós, Corpo.
               Tudo por Jesus e por Maria; com Jesus e com Maria;
               em Jesus e em Maria; para Jesus e para  Maria.
               Enfim, simplesmente: Jesus e Maria; Maria e Jesus.
               E por Cristo, ao Pai, no Espírito Santo.

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[53] Paulo VI, Evangelii nuntiandi,nº 22.
[54] Cf. Gn 1, 26.
[55] Cf. Sal 89,1.
[56] Santo Agostinho, De Trinitate, XIII, 9.
[57] Cf. Jo 15,5.
[58] Cf. Jo 14,6.
[59] LG, 1.
[60] João Paulo II, Alocução, na visita ao Pontifício Ateneo Antonianum de Roma, aos professores e alunos (16/01/1982), 5; OR (31/01/1982), p. 19.
[61] João Paulo II, Alocução Dominical (06/09/1981), 1; OR (13/09/1981), p. 1.
[62] João Paulo II, Alocução Dominical (02/08/1981), 2; OR (09/08/1981), p. 1.
[63] “O que não foi tomado tampouco foi redimido”,cf. AG 3, nota 15.
[64] Cf. Lc 2,51
[65] Cf. Lc 2,42.

PARTE IV
VIDA CONSAGRADA
Artigo 1: Princípios Gerais
[48]   A vida religiosa, pela qual nos entregamos totalmente ao serviço de Deus, no qual está a perfeição do homem, consiste principalmente no cumprimento dos três votos de castidade, pobreza e obediência, impulsionados pela caridade.
[49]   A profissão dos votos:
         - Em primeiro lugar, extrai da graça batismal seu fruto mais copioso, libera-se assim dos impedimentos que poderiam apartá-lo do ardor da caridade e da perfeição do culto divino, consagrando-se mais intimamente ao serviço de Deus[66]. A consagração com os três votos fixa suas raízes na consagração batismal, da qual é a expressão mais perfeita, pois quem assim se entrega a Deus leva a sua máxima perfeição as exigências batismais: com Ele fomos sepultados pelo batismo para participar de sua morte…(Rm 6,4).
[50]   - Em segundo lugar, equivale em certo modo ao martírio, posto que o religioso possui a mesma vontade que o mártir: ambos aceitam sua morte a este mundo para unir-se plenamente a Cristo e formar parte de seu reino: “mesmo que falte ocasião de perseguição, sem embargo a paz tem seu martírio: porque embora não submetamos a carne com o ferro, destroçamos os desejos carnais da alma com a espada espiritual[67]”.
[51]   - Em terceiro lugar, a profissão religiosa constitui um verdadeiro holocausto de si mesmo, já que em virtude dos votos se entrega a Deus todo o próprio, sem reservar-se nada: pelo voto de castidade, o bem próprio do corpo; pelo voto de pobreza, as coisas exteriores; e os bens da alma pelo voto de obediência[68].
[52]   - Em quarto lugar, a profissão religiosa é uma verdadeira consagração, pela qual o religioso é algo sagrado, destinado ao culto divino, propriedade de Deus.
[53]   Com a profissão dos votos nos esforçamos por desenraizar de nós as três concupiscências, incompatíveis com a caridade do Pai: concupiscência da carne (desordem no comer, no beber, nos bens sensíveis), concupiscência dos olhos (afã de ver tudo, de possuí-lo), soberba da vida (desordem nas honras, ostentação, jactância, auto-suficiência)[69], que respondem exatamente àquelas tentações com as que o demônio pretendeu seduzir a Nosso Senhor: Ordena que estas pedras se convertam em pães…(Mt 4,3), ou seja, gula;  jogue-te daqui para baixo (Mt 4,6), quer dizer, fazer as coisas por ostentação; e tudo isto te darei se me adoras (Mt 4,9), ou seja, soberba. Nestas três tentações “acha-se a matéria de todos os pecados, porque as causas das tentações são as mesmas da cobiça: o deleite da carne, a esperança da glória e a ambição do poder”[70]. É a mesma armadilha que usou o pai da mentira com o Adão e Eva, tentando-os a comer do fruto proibido, porque era ao bom gosto, agradável à vista e apto para alcançar sabedoria (Gn 3,6).
[54]   Por isso, o mesmo Cristo dá três armas contra estas insídias, arma às que se pode reduzir cada um dos votos nos que consiste essencialmente o estado religioso. Assim, à pobreza se corresponde o mandato da esmola[71], em que se contém tudo o que se faz por amor ao próximo, desprezando as riquezas e a ambição; à castidade, o jejum[72], no qual se condensa tudo aquilo que alguém faz para refrear-se a si mesmo em suas concupiscências; e à obediência, a oração[73], pela qual “o religioso se submete a Deus e manifesta ao orar que necessita Dele como Autor de todos os bens”[73], e aqui se contém o que se faz para dar reto culto a Deus, pelo qual o voto de obediência, nascido deste culto a Deus, constitui essencialmente o estado religioso.
Artigo 2 : O voto de castidade
[55]   Imitando ao Jesus Cristo, que tendo amado aos seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13,1), mediante o voto de castidade queremos oferecer a Deus o holocausto de nosso corpo e de todos nossos afetos naturais, vivendo “a obrigação da continência perfeita no celibato”[74]. Implica uma eleição preferencial do amor exclusivo a Deus, já que livremente escolhemos ser dos eunucos que a si mesmos se feito tais por amor do reino dos céus (Mt 19,12).
[56]   Esta virgindade, que é acima de tudo do coração, nasce da caridade e a ela se ordena, a fim de poder cumprir com a máxima perfeição o supremo mandamento: Amarás ao Senhor seu Deus com todo seu coração, com toda sua alma e com toda sua mente (Mt 22,37). Por isso o voto de castidade permite ao religioso estar totalmente livre para tender a Deus, posto que cuida das coisas do Senhor, procurando como agradar a Deus (1 Cor 7,32), oferecendo seu corpo como hóstia viva, Santa, agradável a Deus (Rom 12,1). Este voto de castidade, plenamente vivido, é o que constitui a pureza triunfal, que tende com todas suas forças a Deus, sacrifica gozosamente seus afetos carnais entregando-se ao Jesus Cristo e a Ele ordena todos seus amores. Fruto desta consagração é um senhorio sobre todas as coisas, junto com uma vontade libérrima, pronta para agradar só a Deus.
[57]   Este voto dá ao religioso, além disso, uma grande fecundidade espiritual, já que é Deus mesmo quem fecunda e vivifica o coração de quem, pela virgindade, assemelha-se aos anjos e aos ressuscitados, que não tomarão mulheres nem maridos… sendo filhos da ressurreição (Lc 20,35-36).
[58]   “Só o amor de Deus chama em forma decisiva à castidade religiosa. Este amor exige imperiosamente a caridade fraterna, que o religioso viverá mais profundamente com seus contemporâneos no Coração de Cristo… Sendo decididamente positiva, a castidade testemunha o amor preferencial para o Senhor e simboliza da forma mais eminente e absoluta o mistério da união do Corpo Místico a sua Cabeça, da Esposa a seu eterno Esposo. Finalmente, ela alcança, transforma e penetra o ser humano até o mais íntimo mediante uma misteriosa semelhança com Cristo”[75].
[59]   Devemos desejar sempre a castidade vitoriosa, triunfal, já que a vitória pode dar-se em diversos graus: substancial, quer dizer, eliminando o pecado grave; perfeita, ou seja, eliminando inclusive os pecados menores; triunfal, ou perfeitíssima, que se obtém não só fugindo do pecado com a máxima delicadeza, senão indo mais além, ou seja, superando a mera eliminação do pecado, o qual, por sua vez, pode fazer-se ou quanto à prontidão (eliminando toda discussão ou compromisso com a tentação, o qual implica a imediatez e radicalidade da vitória) ou quanto à totalidade (imolação do coração e negação da paixão, inclusive em seus aspectos indiretos – beleza vã, amor natural, etc.– relacionados com os sentidos e o sexo, mas não estritamente pecaminosos por si). Esta superioridade de delicadeza, de prontidão e sobre tudo de totalidade na negação da esfera sexual é a característica própria do modo religioso da castidade em relação a natural tendência, que não se exclui. Esta renúncia da vontade pode ser de dois modos:
     - negativa, quer dizer, como pura mortificação dolorosamente suportada;
     - positiva, como desejado e alegre sacrifício para obter a íntima união com Deus daquele matrimônio espiritual e virginal que caracteriza, segundo São Paulo[77], a vida consagrada, no qual o coração não fica sufocado, senão entregue, feito sagrado. Somente esta última atitude é digna do estado religioso. Entrega-a amorosa que implica deve ser gozosa, para submergir-se na esfera espiritual do divino amor, que é o fim da virgindade.
Artigo 3 : O voto de pobreza
[60]   Nosso Senhor, Caminho que devemos seguir[78] e exemplo que devemos imitar[79], sendo rico se fez pobre por amor de vós, para que fôsseis ricos por sua pobreza (2 Cor 8,9). E em sua pregação nos ensina: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus (MT 5,3), e para quem quer alcançar a perfeição convida: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me! (MT 19,21).
[61]   Esta pobreza evangélica consiste no abandono voluntário das riquezas e dos bens exteriores deste mundo com o fim de procurar unicamente a Deus. É, em palavras de São Jerônimo, “seguir nu a Cristo nu”[80].
[62]   Mas a perfeição da pobreza evangélica não reside simplesmente na mera carência de riquezas ou bens materiais (pobreza efetiva), senão no desprendimento e desapego voluntário das mesmas (pobreza afetiva): Tudo o tenho por perda a causa do sublime conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cujo amor todo o sacrifiquei e o tenho por lixo, com tal de ganhar em Cristo (Fl 3,8).
[63]   O conselho evangélico de pobreza, a imitação de Cristo, implica uma vida pobre de fato e de espírito, esforçadamente sóbria e desprendida das riquezas terrenas, e leva consigo a dependência e a limitação no uso e disposição dos bens, segundo as Constituições. Graças a esta renuncia aos bens temporários, o voto de pobreza[81] se volta um culto incessante à divina Providência, já que se tem a certeza de que “o perigo corporal não ameaça àqueles que, com a intenção de seguir a Cristo, abandonam todas suas coisas, confiando-se à divina Providência”[82]. Aquele Pai cheio de bondade que se ocupa dos pássaros e das flores do campo[83], não abandonará aos que com tanta confiança se entreguem a Ele.
[64]   Do mesmo modo, a prática deste voto constitui o máximo sinal de humildade: “naquele que é voluntariamente pobre, assim como foi Cristo, a mesma pobreza é indício de máxima humildade”[84].
[65]   Por outro lado, a pobreza assumida por Cristo aumenta a liberdade de espírito e o espírito de príncipe que por sua consagração deve possuir o religioso: “...é um bem que encerra todos os bens do mundo. É uma grande soberania; afirmo que se assenhoreia de todos os bens quem nenhum caso faz de os deixar”[85].
[66]   Daqui que o religioso não deva servir-se de coisa alguma como se fosse de sua propriedade ou com o coração apegado a isso, não dispondo de nada sem permissão do Superior, e vivendo sempre pobremente. Deste modo se imitará melhor ao Jesus Cristo “pobre em seu nascimento, mais pobre em sua vida e paupérrimo na Cruz”[86].
[67]   Ensina Nosso Senhor Jesus Cristo: vendei vossos bens… fazei bolsas que não se desgastem… ajuntai um tesouro inesgotável no céu… onde está o teu  tesouro, lá também está teu coração (Mt 6,20-21). Estas palavras ressoaram um dia em nosso coração e decidimos, por graça do Espírito Santo, seguir a Cristo pobre mediante o voto de pobreza. A pobreza religiosa pode praticar-se com maior ou menor perfeição. Há quatro graus principais:
1.  Abster-se de possuir algo como se fora próprio ou de fazer sem permissão qualquer ato de propriedade: é a matéria obrigatória do voto, cujo descumprimento, por pequeno que seja, constitui sempre pecado, grave ou leve segundo os casos.
2.  Privar-se do supérfluo (até da aparência de luxo ou riqueza), contentando-se com o necessário, sem que o coração se apegue a isso. Seu descumprimento não quebraria o voto, mas sim a virtude da pobreza.
3.  Preferir para seu uso  escolher, quando se possa, o de menos valor, o menos agradável, o mais incômodo. Aceitar com gosto, e até pedir, os ofícios mais baixos, os destinos mais difíceis… o que nos faz  parecer mais aos pobres. Logo aqui começa a perfeição da pobreza.
4.  Aceitar com alegria, por amor a Deus, as privações, até nas coisas necessárias, pela Santa pobreza. Gloriar-nos como São Paulo na fome e sede, nas privações de todo gênero, no frio e nudez (2 Cor 11,27). De São Francisco de Assis se dizia que “ninguém tão ambicioso de ouro como ele zeloso da pobreza…”[87]. Este grau constitui a perfeição da pobreza.
[68] Todavia pode praticar-se mais intensamente o quarto grau de pobreza, conquistando assim o desprendimento total, não só dos bens materiais - objeto próprio da virtude da pobreza - mas também de tudo que não seja o mesmo Deus, o que supõe a perfeição da caridade e a santidade completa e consumada. Como diz São João da Cruz, “amar é despojar-se por Deus de tudo o que não é Deus”[88].
Já não lhe importará nada
     - da estima e boa opinião dos homens,
     - da saúde e forças corporais,
     - dos cargos ou ofícios que possam lhe dar ou lhe tirar,
     - dos sucessos prósperos ou adversos que possam acontecer,
     - de morrer jovem ou velho.
“Viva como se não houvesse neste mundo mais que Deus e ela (a alma), para que não possa seu coração ser detido por coisa humana”[89]. E “nada, nada até deixar a pele e o restante por Cristo”[90], “… Quando com próprio amor não o quis, deu-se-me tudo sem ir atrás disso… depois que me coloquei em nada, achei que nada me falta”[91]. Em definitiva, devemos amar tudo o que Deus quer que amemos, sem ser escravos de nossos afetos às criaturas, quer dizer, amar sem encadear-nos, possuir sem ficar presos, usar sem gozos egoístas, conservar a completa independência, buscar em tudo e por tudo a glória de Deus.
[69]   Fazemos nossa a instrução que deu Frei Francisco dos Anjos aos doze apóstolos do México, prevenindo-lhes que irão “à vinha, não alugados por preço algum, como outros, mas sim como verdadeiros filhos de tão grande Pai, buscando não vossas próprias coisas, senão as que são de Jesus Cristo… O qual desejou ser tido como o último e o menor dos homens, e quis que vós, seus verdadeiros filhos fossem últimos, escoiceando a glória do mundo, abatidos por vileza, possuindo a altíssima pobreza, e sendo tais que o mundo vos tivesse em escárnio e vossa vida julgasse por loucura, e seu fim sem honra: para que assim feitos loucos ao mundo convertêsseis a esse mesmo mundo com a loucura da pregação. E não vos turvem porque não sois alugados por preço algum, mas antes enviados sem promessa de salário”[92].
[70]   Os membros do Instituto, com o voto de pobreza, conservam a capacidade de ter bens patrimoniais, mas antes de emitir os votos temporários, os membros devem ceder a administração dos próprios bens patrimoniais e livremente dispor de seu uso e usufruto.
     Aspiramos a viver a pobreza em grau máximo, e para isso antes da profissão perpétua se fará testamento válido segundo o direito civil, renunciando a todos os bens a favor do Instituto, conforme ao cânon 668, Inc. 1: “… antes, ao menos, da profissão perpétua, (os membros) farão testamento que seja válido também segundo o direito civil”.
     Tudo o que um irmão ganhe com seu próprio trabalho ou por razão do Instituto, como o que perceba em conceito de pensão, subvenção, ou seguro, adquire-o para o Instituto.     
     Antes da profissão perpétua, todo irmão renuncia totalmente a seus bens, de maneira que dita renuncia tenha efeitos, a partir do dia da profissão e seja válida também, se for possível, no direito civil.
Para modificar estas disposições com causa justa se requer licença do Superior Provincial.
     O professo que tenha renunciado a todos seus bens perde a capacidade de adquirir e possuir, pelo que são nulos seus atos contrários ao voto de pobreza. O que adquira depois da renúncia pertencerá ao Instituto.[93]
[71]   O Instituto deve proporcionar a seus membros todos os meios necessários segundo as Constituições, para alcançar o fim de sua vocação[94].
Artigo 4: O voto de obediência
[72]   Seguindo o exemplo do Verbo Encarnado, os membros do Instituto se entregam a Deus totalmente pelo voto de obediência, mediante o qual o religioso faz dom de sua vontade.
[73]   …aprendeu por seus padecimentos o que é a obediência (Hb 5,8). “Diz aprendeu o que é a obediência, isto é, quão grave é obedecer, porque Ele mesmo obedeceu nas coisas mais graves e mais difíceis: até a morte de cruz[95]. E assim mostra quão difícil é o bem da obediência. Porque os que não são vigilantes na obediência, e não a aprenderam nas coisas mais difíceis, acreditam que obedecer é muito fácil. Mas para que saibas o que é a obediência, é necessário que aprenda a obedecer nas coisas mais difíceis, e o que não aprende obedecer estando submetido, jamais saberá mandar bem quando dever mandar”[96]. Por isso, obedeças ao que obedece e será bom o que mandes.
[74]   Com o voto de obediência se obriga a submeter a própria vontade aos Superiores legítimos, que fazem as vezes de Deus quando mandam algo segundo as Constituições[97]. Compromete-se o religioso a obedecer em todo o referente à vida religiosa e apostólica ao Superior, imitando nisto a Jesus Cristo, feito obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2,8). Desta maneira o religioso se faz dócil ao Espírito Santo e tem constantemente a alma pronta para tudo o que Deus disponha: Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos no Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. (1 Tes 5,12-13).
[75]   No Superior o religioso deve ver a quem faz as vezes de Jesus Cristo, como nos ensina: Sede submissos e obedecei aos que vos guiam(pois eles velam por vossas  almas e delas devem dar conta).Assim, eles o farão com alegria,e não a gemer,que isto vos seria funesto. (Heb 13,17). Tal obediência é o elemento essencial da vida religiosa, já que o estado religioso é uma aprendizagem e exercício para alcançar a perfeição, e nesta aprendizagem se requer a submissão à direção de outro. Este voto oferece a Deus o bem mais excelente, que é a própria vontade, contém aos outros votos, que se realizam por obediência, e se refere propriamente aos atos mais relacionados com o fim da vida religiosa, posto que ninguém é religioso sem este voto, embora tenha feito os outros[98].
[76]   Alguns, desgraçadamente, movidos por espírito próprio, carnal ou mundano, não obedecem bem: “Não poucos vivem sob obediência mais por necessidade que por caridade; estes tais se sentem habitualmente afligidos e com facilidade se entregam à murmuração. E é evidente que não conseguirão a liberdade de espírito, a menos que se submetam de todo coração, por amor a Deus”[99]. E ao subtrair-se da obediência se subtraem da graça: “quem trata de subtrair-se ao jugo da obediência se subtrai pelo mesmo à ordem da graça; e o que deseja ter um bem individual mal consegue o coletivo. O que não se sujeita com gosto e espontaneamente à autoridade demonstra que tampouco sua carne lhe obedece perfeitamente, senão que muitas vezes se mostra recalcitrante e murmura. Aprende, pois, a submeter-te com presteza a seu superior, se queres sujeitar tua própria carne”[100]. Não devemos nos esquecer nunca que “a obediência é o aroma do sacrifício… Embora verdadeiramente os Superiores fossem por si mesmos ineptos para a altura de seu cargo; defeituosos - dito seja unicamente para fazer-me compreender - e até repugnantes; adquirir-se-ia um mérito maior, estar-se-ia mais seguros de obedecer a Deus ao obedecer-lhes. Porque os defeitos dos Superiores fazem imensamente mais meritória e grata a Deus a obediência: pois não se devem absolutamente ter em conta as qualidades humanas ao obedecer, nem se a ordem é racional, mas sim que a obediência é racional. Se pusermos como base de nossa submissão a racionalidade do ordenado se destrói a mesma obediência. Nós devemos nos aniquilar aos pés da Igreja e dos Superiores e obedecer por amor a Cristo e ser como trapos… que ninguém jamais nos supere em obediência filial, em obsequiosidade e amor ao Papa e aos Bispos, a quem o Espírito Santo colocou para governar a Igreja de Deus”[101]. O mesmo ensina São João da Cruz: “Jamais olhes ao prelado considerando-o menos que a Deus, seja o prelado que for, tenha-o em seu lugar. E adverte que aqui o demônio coloca muito a mão. Olhando assim ao prelado é grande o lucro e o aproveitamento, e sem isto é grande a perda e o dano. E assim, com grande vigilância, velai para que não os olheis em sua condição, nem em seu modo, nem em seu aspecto, nem suas outras maneiras de proceder; porque te fará tanto dano, que trocarás a obediência de divina para humana. Assim acabarás movendo-te ou não apenas pelos modos visíveis no prelado, e não pelo Deus invisível, a quem serves nele… se isto não fazes com força, de maneira tal que não se te de  por prelado mais a um que a outro, pelo que a teu particular sentimento toca , de nenhuma maneira poderás ser espiritual nem guardar bem seus votos”[102].
[77]   Se fôssemos religiosos verdadeiramente obedientes, se cumpriria o que diz São João Bosco: “Se cumprirem a obediência do modo indicado lhes posso assegurar, em nome do Senhor, que passareis na congregação uma vida tranqüila e feliz. Mas ao mesmo tempo devo lhes advertir que desde dia em que, deixando de lado a obediência obreis apenas  segundo vossos caprichos, começareis a sentir-vos pesarosos de vosso estado. Se nas várias congregações religiosas se acham descontentes e até há alguns para quem a vida  comunitária é de grande peso, observe-se com atenção, e se verá que isto provém da falta de obediência”[103]. Devemos gravar em nosso coração a máxima de São Francisco de Sales: “Tudo é seguro na obediência e tudo é suspeito fora dela”[104].
[78]   Esta obediência implica três graus:
         - Primeiro grau: acima de tudo, obediência de execução, que consiste em realizar a ordem mandada, mesmo sem submissão interna.
         - Segundo grau, obediência de vontade, ou seja, a submissão interior, que acomoda a vontade do inferior a do superior sem dificuldade, com amor e valentia.
         - Terceiro grau, obediência de juízo, pela qual se conforma o juízo interior com o do superior, rendendo também nossa inteligência, exceto o caso em que o contrário se manifeste com certeza evidente.
[79]   Esta obediência é justamente o contrário, tanto da obediência “crítica”, que obedece em meio da murmuração e da queixa, e do “espírito de oposição”, que forma grupos ou bandos de oposição a respeito do que ordene o superior, como do servilismo e a obediência farisaica, que com mistura de covardia e hipocrisia, mostra uma vontade vencida mas não submissa , e inclusive pretendendo levar o superior àquilo que o súdito busca.
[80]   Além da dependência e submissão que estamos obrigados pelo Batismo a respeito do Pontífice Romano, obrigamo-nos, em virtude do voto de obediência, a obedecer-lhe por um novo título, como a nosso Superior Supremo, conforme ao cânon 590, Inc. 2: “Cada um de seus membros está obrigado a obedecer ao Sumo Pontífice, como a seu Superior Supremo, também em virtude do vínculo sagrado da obediência”.
         - Os membros estão sujeitos à potestade dos Bispos[105], aos quais têm que seguir com piedosa submissão e respeito no que se refere ao cuidado das almas, ao exercício público do culto divino e a outras obras de apostolado. No exercício do apostolado externo, os religiosos estão sujeitos também a seus Superiores próprios e devem permanecer fiéis à disciplina do Instituto; os Bispos não deixarão de urgir esta obrigação quando for o caso. Ao dirigir as obras de apostolado dos religiosos, os Bispos diocesanos e os Superiores religiosos devem proceder de comum acordo[106].
[81]   Será sempre excepcional o mandar “baixo obediência” e só terá valor quando o Superior legítimo o faça por escrito ou diante de duas testemunhas. Considera-se que os Superiores mandam em virtude do voto ao empregar fórmulas como: “em virtude da Santa obediência”, “baixo preceito formal” ou outras semelhantes, ou quando na maneira de ordenar ou outras circunstâncias se manifesta claramente que esse é seu desejo.
Artigo 5: Consagração a Maria
[82]     Este quarto voto que fazemos, junto aos de castidade, pobreza e obediência, implica uma total entrega a Maria para servir melhor a Jesus Cristo. Por isso implica um duplo aspecto:
A. Materna escravidão de amor
[83]   Esta consagração a Maria é feita como “materna escravidão de amor”, segundo o modo admiravelmente exposto por São Luis Maria Grignion de Montfort. Tal escravidão é chamada por ele “escravidão de vontade” ou “de amor”[107], já que livre e voluntariamente, só movida pelo amor, fazemos oferenda de todos nossos bens e de nós mesmos a Maria, e por Ela a Jesus Cristo. Isto não é mais que renovar de maneira mais plena e conscientemente, as promessas feitas no Batismo, no qual fomos revestidos de Cristo[108], e na profissão religiosa. E, além disso, por esta escravidão de amor se faz patente o domínio e a providência maternal que tem Maria sobre todas as coisas, mas especialmente sobre as almas fiéis, segundo o qual expressa São Boaventura: “Escrava de Maria Rainha é qualquer alma fiel, inclusive a Igreja universal”[109]. E afirma João Pablo II: “… a entrega a Maria tal como apresenta São Luis Maria Grignion de Montfort é o melhor meio de participar com proveito e eficácia desta realidade para extrair dela e compartilhar com outros as riquezas inefáveis… Vejo nisso (a escravidão de amor) uma espécie de paradoxo das que tanto abundam nos Evangelhos, em que as palavras ‘Santa escravidão’ podem significar que nós não saberíamos explorar a fundo nossa liberdade… Porque a liberdade se mede com a medida do amor de que somos capazes”[110].
[84]   Por esta escravidão de amor, não só oferecemos a Cristo por Maria nosso corpo, nossa alma e nossos bens exteriores, senão inclusive nossas boas obras, passadas, presentes e futuras, com todo seu valor satisfatório e meritório, a fim de que Ela disponha de tudo segundo seu beneplácito[111], seguros de que por Maria, Mãe do Verbo Encarnado, devemos ir a Ele, e que Ela há formar “grandes Santos”[112].
B. Marianizar a vida
[85]   Fruto de consagração a Santíssima Virgem e conseqüência natural é o marianizar toda a vida. Para isso é preciso, em primeiro lugar, fazer tudo por Maria, o qual nos indica o meio, e tal é a fusão de intenções. Nada terá que a Mãe de Deus se reserve para si, mas sim em tudo nos diz e ensina como aos servidores de Caná, fazei tudo o que Ele vos disser. (Joa 2,5).
[86]   Em segundo lugar, terá que fazer tudo com a Maria, no qual se expressa a companhia e o modelo que deve guiar “todas nossas intenções, ações e operações”[113], posto que Ela é a obra mestra de Deus. Aqui, pois, nos mostra o que devemos imitar. Se o Apóstolo dizia Tornai-vos os meus imitadores como eu o sou de Cristo (1 Cor 11,1), com maior razão poderá afirmar-se isto da Virgem, em quem tem feito maravilhas o Todo-poderoso, cujo Nome é santo![114] “Enquanto que a Igreja na Santíssima Virgem já chegou à perfeição, por isso se apresenta sem mancha nem ruga, os fiéis… levantam seus olhos para Maria, que brilha ante toda a comunidade dos eleitos como modelo de virtudes”[115].
[87]   Em terceiro lugar, é necessário gerar, confiar em Maria, vale dizer, em íntima união com Ela, e com isto se mostra a permanência e unidade que tem que dar-se entre o consagrado e a Mãe de Deus.O que ama está no amante: tal é a propriedade do amor ardente, que tende de sí a uma mútua compenetração, cada vez mais profunda e mais sólida. Deste modo se imita ao Verbo Encarnado, que quis vir ao mundo e habitar no seio da Maria durante nove meses, e se faz efetivo seu mandato e doação póstuma: Disse ao discípulo: Eis aqui a sua Mãe. E desde àquela hora o discípulo a recebeu em sua casa (Jo 19,27).
[88]   Finalmente, é preciso fazer tudo para  Maria. A Santíssima Virgem, subordinada sempre a Cristo segundo o desígnio eterno do Pai, deve ser o fim ao qual se dirijam nossos atos, o objeto que atraia o coração de cada consagrado e o motivo dos trabalhos empreendidos. Maria é “o fim próximo, o centro misterioso e o meio mais fácil para ir a Cristo”[116].
[89]   Todo fiel escravo de Jesus em Maria deve, portanto, invocá-la, saudá-la, pensar Nela, falar Dela, honrá-la, glorificá-la, recomendar-se a Ela, gozar e sofrer com Ela, trabalhar, orar e descansar com Ela e, enfim, desejar viver sempre por Jesus e por Maria, com Jesus e com Maria, em Jesus e em Maria, para Jesus e para Maria.

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[66] Cf. LG, 44.
[67] São Gregório Magno, In Evang., L. 1, Hom. 3: ML 76,1089.
[68] Cf. São Tomás de Aquino, S. Th., II-II, 186, 7.
[69] Cf. 1 Jo 2,16.
[70] Santo Ambrósio, Tratado sobre o Evangelho de São Lucas, L. IV, nº 35.
[71] Cf. Mt 6,1-4.
[72] Cf. Mt 6,16-18.
[73] Cf. Mt 6,5-13.
[74] Santo Tomás de Aquino, S. Th., II-II, 83, 3.
[75] Cf. CIC, c. 599
[76] Paulo VI, Exortação Apostólica sobre a renovação da vida religiosa segundo os ensinamentos do Concílio Evangelica Testificatio (29/06/1971), 13.
[77] Cf. 1 Cor 7.
[78] Cf. Jo 14,6.
[79] Cf. 1 Pe 2,21
[80] Ad Rusticum Monachum, Ep. 125: ML 22,1085.
[81] Cf. CIC, c. 600
[82] São Tomás de Aquino, S. Th., II-II, 186, 3, ad 2.
[83] Cf. Mt 6,25-34.
[84] São Tomás de Aquino, S. Th., III, 40, 3, ad 3.
[85] Santa Teresa de Jesus, Caminho da Perfeição, cap. II, nº 5.
[86] São Bernardo, Vitis mystica, cap. II.
[87] Tomás de Celano, Vida de São Francisco, Vida Segunda, Ed. BAC, Madrid 1975, p. 375.
[88] Subida ao Monte Carmelo, L. II, cap. 5, 7.
[89] São João da Cruz, Ditos de luz e amor, 143.
[90] São João da Cruz, Avisos e Sentenças espirituais, 68, 4.
[91] São João da Cruz, Monte de Perfeição, Obras Completas, Ed. BAC, Madrid, 1982, p. 74
[92] Frei Jerônimo de Mendieta História Eclesiástica Indiana, México 1945, L. III, cap. 9.
[93] Cf. CIC, c. 668
[94] Cf. CIC, c. 670
[95] Cf. Fl 2,8.
[96] Santo Tomás de Aquino, Super Ep. ad Hebraeos Lectura, V, 8, lectio II, nº 259, Ed. Marietti.
[97] Cf. CIC, c. 601
[98] Cf. Santo Tomás de Aquino, S. Th., II-II, 186, 8.
[99] Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, L. I, cap. 9.
[100] Ibidem, L. III, cap. 13.
[101] São Luís Orione, Carta sobre a obediência  aos religiosos da Pequena Obra da Divina Providência, Epifania de 1935, Cartas de Don Orione, Ed. Pío XII, Mar do Prata 1952.
[102] Cautelas 12, Segunda cautela contra o demônio.
[103] Regras ou constituições da Sociedade de São Francisco de Sales, VIII.
[104] Tratado do amor de Deus, VI, 13.
[105] Cf. CIC, c. 305, 1.
[106] Cf. CIC, c. 678.
[107] VD, nnº 70, 72.
[108] Cf. Gal 3,27.
[109] Speculum Beatae Mariae Virginis, lect. III, nº 5.
[110] Citado por André Frossard em Não tenhais medo, Ed. Praça e Janes, Barcelona 1982, p. 131-132.
[111] Cf. VD, nnº 121-125.
[112] Ibidem, 47.
[113] Cf. EE, [46].
[114] Cf. Lc 1,49.
[115] VD, nº 265.
[116] VD, nº 265.

PARTE V
VIDA COMUNITÁRIA
Capítulo 1: Das Comunidades
Artigo 1: Importância
[90]   Embora seja muito certo, em um sentido, que a vida comunitária é máxima penitencia[117], é também muito certo que na matemática um mais um são dois, mas um homem mais outro homem são dois mil. Um homem junto com outro em valor e em força cresce, o temor desaparece, e escapa de qualquer armadilha.
[91]   A formosura e os bens da vida fraterna em comum são muito maiores que as dificuldades que suporta: Oh, como é bom, como é agradável  para os irmãos unidos viverem juntos! (Sal 133,1).
[92]   É justamente pela vida fraterna que nos mostramos, unidos em Cristo: todos vós sois um em Cristo Jesus (Gal 3,8), como uma família religiosa peculiar e deve realizar-se de tal maneira que seja para todos uma ajuda mútua no cumprimento da própria vocação. Pela comunhão fraterna[118] enraizada e fundamentada na caridade, os membros têm que ser exemplo da reconciliação universal em Cristo, é dizer, que devemos ser como “uma Igreja doméstica”[119].
                                                                                    
Artigo 2: Essência
[93]   Em nossas comunidades devemos tratar de viver o que é a essência do Reino que Jesus Cristo veio inaugurar na terra: O Reino de Deus… é justiça, alegria e paz no Espírito Santo (Rm 14,17). Coisas estas que se identificam com a santidade, que é o que, em última instância, faz que nossas comunidades sejam autênticas. Quando não existe não há lei, nem Superior, que possa evitar a desagregação, como dizia São Pio X: “Onde falta a santidade, inevitável é que entre a corrupção”[120].
Artigo 3: Justiça
[94]   Queremos que a justiça, que dá a cada um o seu, a Deus latria, ao superior veneração e obediência, da mesma forma respeito, ao inferior serviço, a todos –segundo medida– caridade, essa virtude tão formosa, que nem o luzeiro da manhã nem o vespertino podem lhe ser comparados em beleza, resplandeça em nossas comunidades. Diz o Papa João Paulo II que para São Gregório VII a justiça é “a ordem de Deus no mundo; ela comporta que todas as coisas humanas, desde as menores até as maiores, estejam ordenadas segundo a vontade e a lei de Deus, que o homem não seja deformado pelo pecado, senão plasmado a imagem de Deus”[121].
Artigo 4: Alegria
[95]   Em relação à alegria, como fruto do Espírito Santo e efeito da caridade, terá que tratar, por todos os meios, que “ninguém seja perturbado ou entristecido na casa de Deus[122]. Para isso é totalmente imprescindível viver a caridade fraterna: “Isto é: tenham por mais dignos aos demais (ROM 12,10); suportem com paciência sem limites suas debilidades, tanto corporais como espirituais; ponham todo seu empenho em obedecer-vos uns aos outros; procurem todos o bem dos demais, antes que o seu próprio; ponham em prática um sincero amor fraterno; vivam sempre no temor e amor de Deus; amem a seu Abade (superior) com uma caridade sincera e humilde; não anteponham nada absolutamente a Cristo, o qual nos levará todos juntos à vida eterna”[123].
[96]   De tal modo se deveria viver a caridade fraterna que ao ver nossa vida se dissesse: “Olhai como se amam entre si e como estão dispostos a morrer uns por outros!”[124], ou, como também se dizia dos primeiros cristãos, “amam-se ainda antes de conhecer-se”[125]. E não se acredite que isto é uma utopia, já que muitas vezes escutamos expressões parecidas. Devemos ter o firme propósito de salvar sempre a caridade, apesar da possibilidade de haver falsos irmãos[126], que se intrometam para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus (Gal 2,14), que parecem estar conosco, mas não são dos nossos[127]. A caridade não morrerá jamais! (1 Cor 13,8). De cada um de nós dever-se-ia fazer a biografia substituindo a palavra “caridade” por nosso nome no hino de São Pablo aos Coríntios, onde descreve com duas características gerais, oito notas negativas e cinco positivas, o que deve ser o amor fraterno: A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor .Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Cor 13,4-7). “O amor é formalmente a vida da alma, como a alma é a vida do corpo”[128].
Artigo 5: A paz
[97]   Em relação à paz, é também fruto do Espírito Santo e efeito da caridade, porque por ela ordenamos a Deus todos nossos afetos, e esta ordem implica a paz. As almas dissipadas não se deixam guiar pelo Espírito Santo, nem vivem, portanto, na paz de Cristo. Esta paz é um dos tantos benefícios que Nosso Senhor trouxe ao mundo, e é efeito de sua Paixão redentora: aprouve a Deus… e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus. (Col 1,19-20).
[98]   Esta paz interior a alcança o homem quando elimina o conflito dentro de si, dada às vezes pela luta entre a carne e o espírito[129], ou pela luta na vontade de dois amores contrários.
[99]   A paz pode ser falsa: isto ocorre quando permanece em um bem aparente, ou quando se obtém, pelo meio que seja, fazer a vontade própria. A paz verdadeira será perfeita somente na Pátria Celeste; nesta terra é imperfeita, mas sempre podemos conservá-la, ainda em meio das maiores contrariedades, das maiores tribulações e das maiores tragédias, conforme a admoestação do Apóstolo: Não vos inquieteis com nada!… e a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos em Cristo Jesus (Flp 4,6-7). Conquistamos esta paz fazendo que o peso de nossas almas seja o amor, pelo qual nosso coração é levado ao que ama: “meu amor é meu peso”[130]. Se esse amor se põe em Cristo, ali se encontra a paz, já que Ele é o fundamento de tudo: tudo foi criado por Ele e para Ele… tudo subsiste nele (Col 1,16-17). E a paz deve buscar-se dentro, não fora, senão nos encherá de preocupações inúteis e encherá o coração de remorsos contra tudo o que nos rodeia, porque não depende a paz de nossa alma para que desapareçam os obstáculos exteriores, senão o afeto ao pecado: Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? (Tg 4,1). A paz deve buscar-se dentro porque Deus nos é interior: “Você foi interior a minha mais funda interioridade”[131].
Artigo 6. Capítulo de culpas[132]
[100] Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. (Tg 5,16). Ajuda muito para isto o “Capítulo de culpas” que se realiza, geralmente, todas as semanas. O fim deste exercício é humilhar o espírito e mortificar a carne, que assim volta a descobrir suas próprias debilidades.
[101]  Devem acusar-se somente das faltas exteriores, cometidas diante de outros, nunca das puramente internas. A acusação deve ser singela, breve, sincera e sem calar nada, humilde e sem justificações, caridosa e sem acusar a ninguém nem revelar defeitos alheios.
[102]   Antes cada um deve formar melhor sua opinião e professar maior estima por quem se acusa de suas faltas, embora estas sejam humilhantes, porque, embora tenha que julgá-lo culpável, agora, graças a sua confissão, adverte que é humilde que ama a humilhação e que com esta apagou sua falta.
[103]   Fora do capítulo de culpas não se deve falar jamais do ocorrido nele.
Artigo 7. Correção fraterna
[104]   Também a chamada correção fraterna ocupa um lugar muito importante para edificar cada uma de nossas comunidades a exemplo da única Igreja de Cristo. É uma obra de misericórdia espiritual: corrigir ao que erra. É a advertência (com a palavra, com um gesto, etc.) feita ao próximo culpado (especialmente se o é por ignorância ou negligência) em privado e por pura caridade (não é correção do superior enquanto juiz, ou judicial, nem enquanto que pai, ou paterna), de irmão a irmão, para lhe afastar do pecado, seja tirando o dele ou evitando que o cometa. “Todos os irmãos, tanto os ministros e servidores como os demais, evitem sempre zangar-se ou irritar-se pelo pecado ou defeito do outro, já que o diabo aproveita a culpa de um só para estragar a muitos. Em troca, ajudem espiritualmente, como melhor possam ao que pecou, porque não são os sãos quem necessitam de médico, senão os doentes”[133].
[105]   É obrigação grave, já que não só devemos ajudar ao próximo em suas necessidades materiais, mas também nas espirituais, além de que há um mandato do Senhor: se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganhado em seu irmão. (Mt 18,15). Esta correção se refere aos pecados mortais já cometidos e aos veniais por sua freqüência ou conseqüências podem levar ao pecado mortal. E os pecados materiais cometidos com ignorância invencível terão que corrigi-los se produzirem escândalo, se há perigo de contrair maus hábitos ou se afetarem ao bem comum. Deve fazê-la todo o que tenha caridade, seja superior ou súdito, e um reto juízo racional, ainda quando for um pecador. E de ordinário se faz aos iguais ou inferiores, embora às vezes também aos superiores, sem esquecer que são superiores.
[106 ]  Para que seja conveniente e obrigatória deve ser sobre matéria certa, e apresentada manifesta e espontaneamente; deve haver necessidade, prevendo que o próximo não se corrigirá sem ela; deve ser útil, quer dizer, não ser contraproducente nem duvidar do êxito provável; deve ser possível, ou seja, que possa fazer-se sem grave moléstia ou prejuízo do que corrige, a menos que por ofício ou piedade familiar deva fazê-la; e, finalmente, deve ser oportuna, sopesando cuidadosamente tempo, lugar e modo.
[107]   No modo deve ser:
        - caritativa: procurando só o bem do corrigido e extremando a doçura e suavidade da forma: se alguém for surpreendido numa falta …admoestai-o em espírito de mansidão (Gal 6,1);
        - paciente: embora não se obtenha em seguida resultados positivos, terá que voltar uma e outra vez, até que soe a hora de Deus, como a gota de água que lenta e perseverante fura a pedra;
        - humilde: considerando sempre como o faria Cristo em meu lugar, sem presunção nem altivez. Particularmente deve se ter reverencia se dirigir-se ao superior
[134];
        - prudente: escolher o momento e a ocasião, diferindo-o se o culpável está turbado ou diante de outros, encomendando-o a outro se o faria melhor, evitando no possível humilhá-lo;
        - discreta: não corrigir todos os defeitos, nem fazê-la a cada momento e a propósito de tudo. Não terá que ser inquisidores da vida alheia, evitando o zelo indiscreto;
        - ordenada: salvar a fama, no possível seguindo a ordem do Evangelho
[135]. Primeiro, em privado; logo, ante uma ou duas testemunhas; e finalmente, ao superior, que começará pela correção paternal e recorrerá a judicial quando não ficar outro remédio. Se duvidar de sua efetividade, ou o pecado afeta ao bem comum, pode e deve alterar esta ordem.
[108]   Portanto, “roguemos que nos sejam perdoadas quantas faltas e pecados tenhamos cometido… e até aqueles que encabeçaram rebeliões e facções devem acolher-se a nossa esperança comum. Pois os que procedem em sua conduta com temor e caridade preferem antes sofrer eles mesmos e não que sofram os demais; preferem que se tenha má opinião deles mesmos, antes que seja vituperada aquela harmonia e concórdia que justa e belamente nos vem da tradição… Há alguém cheio de caridade? Pois diga: se por minha causa veio a rebelião, luta e cisões, eu me retiro e vou aonde queirais, e estou logo a cumprir o que a comunidade ordenar, contanto que o rebanho de Cristo se mantenha em paz…”[136].
Capítulo 2: dos superiores
Artigo 1: um rege a muitos
[109]   Há séculos que se descobriu o princípio de unidade e de vida das comunidades: “A multidão é governada melhor por um que por muitos”[137]. Este princípio de unidade é o Superior, no qual devem brilhar a justiça e a misericórdia. Com relação a isto ensina Santo Tomás que “Justiça sem misericórdia é crueldade, misericórdia sem justiça é a mãe da dissolução”[138].
Artigo 2: características do superior
[110] Acreditamos que a melhor descrição do que deve ser um Superior Geral a traz Santo Inácio de Loyola[139] e que, analogamente, vale para todo Superior:
[111] - Deve, em primeiro lugar, estar muito unido a Deus pela oração e por todas suas obras, já que por ele Deus bendiz aos demais membros. Deve impetrar a Deus todas as graças para a comunidade.
[112] - Deve dar exemplo aos demais, resplandecendo no exercício das virtudes, em particular na caridade e humildade. Por isso deve ter sujeitadas as paixões, de modo que nem lhe sejam obstáculo para ver e considerar claramente as coisas com sua razão, nem em seus modos exteriores ou palavras deixe de ser ocasião de edificação, tanto para os membros do Instituto como para os demais. “Ai dos superiores que destroem com o exemplo o que pregam com a palavra!”[140].
[113] - Deve reluzir nele a retidão e severidade, para que só obre procurando agradar a Deus, junto com a benignidade e mansidão, a fim de que até os repreendidos ou castigados advirtam que obra movido pela caridade; deste modo a magnanimidade e fortaleza, para começar grandes obras em serviço de Deus e perseverar até o fim em sua realização, sofrendo as fraquezas de muitos, sem desfalecer por adulações ou ameaças e mantendo-se por cima dos vaivens da fortuna ou do fracasso, tendo a alma disposta a receber a morte, se fosse preciso, pelo bem do Instituto ao serviço de Jesus Cristo.
[114] - Deve estar dotado de grande entendimento e juízo, de modo que nem no especulativo nem no prático careça desta capacidade. Mas sobre tudo, é fundamental que possua prudência e discernimento de espíritos, a fim de que advirta e socorra às necessidades, tanto espirituais como materiais, e que seja capaz de aconselhar e pôr remédio.
[115] - Deve ser vigilante e cuidadoso para começar as obras, e responsável para continuá-las e acabá-las, sem deixá-las negligentemente a metade do caminho.
[116] - Deve ter saúde e idade suficientes para sobrelevar as responsabilidades que tal ofício requer para glória de Deus, assim como também a experiência necessária. Não deve ser de muita velhice nem de muita juventude, pois à primeira faltam forças e à segunda experiência.
[117] - Deve ter daquelas coisas externas que facilitam e ajudam para a edificação do próximo e o serviço de Deus neste cargo, em particular o crédito e boa fama, tanto com os de dentro como com os de fora.
[118] Por tudo isto deve eleger-se para esta função aos de mais virtude e reconhecidos méritos em nossa família religiosa. E faltando, possivelmente, em algum caso, algumas das características enumeradas, não deve faltar, no Superior, bondade e amor ao Instituto, junto com suficiente prudência e ciência, já que o demais poderá suprir-se com o auxílio de Deus.
Artigo 3: A paternidade espiritual
[119] O sacerdote sobre tudo deve ser pai, já que engendra filhos pela cruz, pela oração, pelo zelo apostólico, pela pregação. Neste ministério Cristo foi o primeiro, por isso o chama Pai do século futuro (Is 9,5). Os outros sacerdotes são pais por participação de sua paternidade, são pais “por Ele, com Ele e nele”.
[120] Mas para isto é necessário:
         - Ter viva consciência da Paternidade Divina e de sua majestade, a quem tudo pertence;
         - não usurpar a glória de Deus: os vínculos da paternidade espiritual são mais fortes que os da carne, mas não devem arrebatar a Deus o que lhe pertence, “a glória de Deus seja para Deus”;
         - pedir o espírito de pai, tendo o Espírito de seu Filho e amor puro para com Deus: “Pedir-lhe o espírito de pai para com seus filhos que tivermos que engendrar”;
         - deste modo o sacerdote se converte em imagem visível de Deus Pai, a quem não vemos: Ninguém jamais viu Deus. (Jo 1,18).
[121]   Mas esta “doce coisa de engendrar filhos” implica, necessariamente, a cruz: “os filhos que temos pela palavra de engendrar nem tanto têm que ser filhos de voz quanto filhos de lágrimas… a chorar aprenda quem toma ofício de pai”. O pai verdadeiro tem que morrer a si mesmo em tudo para que o filho viva. “Quem contará o calar-se que é necessário para as crianças, que de cada coisinha se queixam, o olhar não nasça inveja por ver ser outro mais amado, ou que parece sê-lo, que elas? O cuidado de dar-lhes de comer, embora seja tirando o pai o bocado da boca, e ainda deixar de estar entre os coros angélicos por descender para dar sopinhas às crianças? É mister estar sempre moderado, a fim de que a criança não ache alguma resposta menos amorosa. E está algumas vezes o coração do pai atormentado com mil cuidados, e teria por grande descanso soltar as rédeas de sua tristeza e fartar-se de chorar, e se vier o filhinho tem que jogar com ele e rir, como se nenhuma outra coisa tivesse que fazer. Pois as tentações, aridez, perigos, enganos, escrúpulos, com outras mil histórias de sinistros que lhe sucedem quem os contará? Que vigilância para estorvar não venha a eles! Que sabedoria para sabê-los tirar depois de entrados! Paciência para não cansar-se de uma e outra e mil vezes ouvi-los perguntar o que já lhes responderam, e lhes tornar a dizer o que já lhes disse! Que oração tão contínua e valorosa é mister para com Deus, rogando por eles para que não morram! Porque se morrem, acredite-me, pai, que não há dor que a esta se iguale, nem acredito que deixou Deus outro gênero de martírio tão lastimoso neste mundo como a tortura da morte do filho no coração do que é verdadeiro pai… Portanto, a quem quiser ser pai, convém-lhe um coração terno, e muito de carne, para ter compaixão dos filhos, o qual é grandíssimo martírio; e outro de ferro, para sofrer os golpes que a morte deles dá, para que não derrubem ao pai ou o façam de tudo deixar seu ofício, oudeprimir, ou passar alguns dias em que não entenda senão em chorar”. Eis aqui o ideal do pastor! Daqui também que os que “não tiveram em nada o engendrar filhos espirituais, fugiram do trabalho de criá-los”[141], são as antíteses do verdadeiro pai, são a negação do sacerdócio, como a paternidade é sua plenitude.
Capítulo 3: Dos súditos
[122] Há que saber que a comunidade se constrói dia a dia, momento a momento. Sempre foi muito insidiada, V. gr. o caso de Frei Rufino com São Francisco de Assis – nada menos![142]–, hoje em dia o é muito mais e, digamos, que tem tribulações ou tentações próprias, umas gerais, sobre todos os membros; outras particulares, seja sobre os superiores, seja sobre os súditos.
Artigo 1: Dificuldades gerais
[123] Tentações gerais ou “estados” de tentação são, por exemplo, quando a comunidade, ou grande parte dela, não reconhece na fé o dom singular do chamado e, portanto, da resposta correspondente; quando não há projetos entusiastas de futuro; quando não há empenhos de presente exultantes de ideais; quando não há agradecimento pelos benefícios do passado; quando diminui na comunidade a generosidade na entrega e se vai caindo no aburguesamento do conforto desordenado; quando se respira um clima de murmuração, de suspicácias, de crítica negativa, de paixões desordenadas, de tensões; em uma palavra, quando não se vive na fé, a esperança e a caridade…, quando não se busca a unidade na verdade e na caridade…, quando pela árvore das dificuldades se perde de vista o bosque das coisas que estão bem, quando se faz tempestade em um copo de água para chamar a atenção, quando falta o diálogo e a solidariedade…
Artigo 2: Dificuldades particulares
[124] Nos súditos costumam dar-se tribulações, quando um membro se fecha em si mesmo, procura egoistamente seus interesses e cai em alguma das quatro raízes do amor próprio, ou seja, juízo próprio, vontade própria, honra própria e gosto próprio. São os que atiram as pedras e escondem as mãos, os que só vêem a palha no olho alheio e não vêem a trave no deles[143].
[125] Quando o súdito crê-se muito importante considera que o que sofre é muito grande, por isso exorta São Pedro: Não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária
(1Pd 4,12)
[144]. “Muito cuidado! Não vades crer -como os devotos orgulhosos e presunçosos- que vossas cruzes são grandes, que são prova de vossa fidelidade e testemunho de um amor singular de Deus por vós. Este engano do orgulho espiritual é muito sutil e engenhoso, mas cheio de veneno. Pensai melhor que vosso  orgulho e delicadeza vos levam a considerar como traves as palhas, como chagas as picadas, como elefantes os ratos; uma palavrinha que se leva o vento –um nada em realidade– como uma injúria atroz e um cruel abandono...esse volver e revolver deleitosamente os próprios males, essa crença lucífera de que são de grande valia, etc.”[145].
[126] Quando se cai em duplicidade de espírito, então, ainda sem sabê-lo, incubam ovos de serpente e tecem teias de aranha[146], imagem da maldade e da impotência do homem entregue a si mesmo, próprio daqueles que não obedecem a seus superiores legítimos ,mas sim, sendo rebeldes, procuram “superiores” a seu gosto para seguir julgando a partir de um princípio “alheio” à comunidade e destroem em si o espírito de comunhão ao pôr um princípio de unidade distinto do autêntico, e assim começam a ver tudo ao revés: ter um mesmo sentir (Rom 12,16; Flp 2,2) é obsequência; discernir juntos é injustiça; a caridade é debilidade; exercer a autoridade, egolatria; confiar na Providência, imprudência; a justiça é dureza; a obediência, servilismo; que alguém seja pai, é porque o considera igual ou mais que Deus; a eutrapélia é relaxamento; a virgindade de coração, impossível; a firmeza, intolerância; a flexibilidade, componenda; dizer a verdade, mentira; fazer o bem, um mal; e assim o que tem outro espírito se entristece com o que a comunidade se alegra, e se alegra com o que entristece à comunidade… caindo naquilo de Isaías: Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce! (Is 5,20).
[127] Quando se faz “acepção de pessoas” e se escamoteia o espírito dos votos, com amores desordenados consentidos, manejo de bens sem permissão, desobediências conscientes, destrói-se a vida comunitária. A acepção de pessoas é um tipo de injustiça expressamente proibido na Sagrada Escritura: não fareis acepção de pessoas (Dt 1,17), posto que em Deus não há acepção de pessoas (Ef 6,9).
[128] Mais particularmente há tentações contra os Superiores, seja procurando de rebaixar sua autoridade ou sua credibilidade, seja para que não os ouça ou para que não dirijam. Zacarias havia profetizado: Fere o pastor e se dispersarão as ovelhas (Zc 13,7), palavras que antes de sua Paixão cita o Senhor como causa da fuga e dispersão dos discípulos[147].
[129] Como se fere os Superiores? De muitas maneiras: impedindo que falem, tratando de que os súditos não entendam o que falam ou que o entendam ao revés, colocando obstáculos no caminho aos bons pastos (à conversão, à perfeição, etc.), atentando contra sua capitalidade, já que vai diante deles (Jo 10,4), assustando-os para que deixem as ovelhas e fujam, procurando que não conheça os súditos e estes não os conheçam , distraindo-os com coisas menores para que não se ocupem das importantes, pressionando-os para que não dêem a vida pelas ovelhas, etc.
[130] Há tentações que atacam diretamente às ovelhas, isso ocorre quando os súditos não escutam com docilidade aos superiores, quando de palavra dizem obedecer mas em prática não obedecem, quando se desculpam acusando aos superiores, quando atuam como cabilderos, ou seja, administrando com atividade e manha para ganhar vontades com o fim de alcançar seus projetos pessoais, geralmente formando grupo ou camarilhas, para influir sub-repticiamente –de maneira oculta e às escondidas– para tratar de obter o que, supõem às vezes, de outro modo não se conseguiria.
[131] Finalmente, fica claro que todo este tipo de anormalidades e quantas mais se poderem denunciar se deve, em última instância, à falta de santidade. Quando uma alma ama de verdade, toda dificuldade se lhe torna leve e é ocasião para ganhar méritos para a vida eterna: Meu jugo é suave e minha carga leve (Mt 11,30) e, pelo contrário, quando alguém não ama, o mais leve se lhe faz insuportável.
Capítulo 4: Construir a comunidade
[132]   A nosso modo de ver, os pilares sobre os quais devem edificar-se nossas comunidades religiosas, não são outros que os fins aos que apontam os distintos aspectos da formação integral de nossos membros (ver Parte VII):
Artigo 1: Virtudes humanas
[133]   Ante tudo esta formação deve fundamentar-se naquela “perfeição humana que brilha no Filho de Deus e se transparece com singular eficácia em suas atitudes para com os demais”[148], a fim de servir de ponte e não de obstáculo a outros para encontrar a Deus, conhecendo em profundidade a alma humana, intuindo suas dificuldades e problemas, facilitando o encontro e o diálogo, obtendo a confiança e colaboração, expressando juízos serenos e objetivos. Em outras palavras, há que tratar de formar personalidades equilibradas, sólidas e livres, capazes de levar o peso de responsabilidades; que amem a verdade e a lealdade, respeitem às pessoas, tenham sentido de justiça, sejam fiéis à palavra dada, tenham verdadeira compaixão, sejam coerentes, e, em particular, o equilíbrio de juízo e de comportamento[149].
[134]   Há que ter capacidade para relacionar-se com outros, não ser arrogante nem polêmico, sincero em suas palavras e em seu coração, prudente e discreto, generoso e disponível para o serviço, capaz de oferecer-se pessoalmente e de suscitar em todos relações leais e fraternas, disposto a compreender, perdoar e consolar[150]. Há que ser de grande maturidade afetiva já que “não se pode viver sem amor”[151], e de uma educação à sexualidade tal que favoreça a estima e o amor à castidade, sabendo incluir dentro das relações humanas, serena amizade e profunda fraternidade, e sobre tudo um grande amor, vivo e pessoal, a Jesus Cristo. Quando falta isto, é impossível formar comunidade, do mesmo modo, quando há graves falências humanas e não ficam os meios para sair delas.
[135]   Também se deve saber viver em madura liberdade responsável e com uma delicada, não escrupulosa, consciência moral.
Artigo 2: A vida de oração
[136]   Sobre tudo, funda-se a comunidade em uma vida espiritual intensa[152]: a Missa diária, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a reza da Liturgia das Horas, a Liturgia Penitencial semanal[153], o capítulo semanal, a reza diária do Santo Rosário e do Angelus, a Via- Sacra, o uso do escapulário, etc.
[137]   O principal, o mais importante que devemos fazer cada dia, é participar do Santo Sacrifício da Missa. É o ato principal de culto, o sacrifício de louvor que dá a Deus glória infinita. Nela Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, perpetua nos altares de todo o mundo seu Sacrifício redentor, de maneira que os efeitos de sua Paixão alcancem a todos os homens de todos os tempos. A Santa Missa é o ato litúrgico por excelência, e “a liturgia é a cume a qual tende a atividade da Igreja e ao mesmo tempo a fonte de onde emana toda sua força”[154], dela “deriva para nós a graça… e se obtém com a máxima eficácia aquela santificação dos homens em Cristo e aquela glorificação de Deus a qual as demais obras da Igreja tendem como a seu fim”[155]. Tenha-se grande aprecio pela Missa concelebrada pelos membros da comunidade.
[138] “O cântico de louvor que ressoa eternamente nas moradas celestiais e que Jesus Cristo, sumo Sacerdote, introduziu neste desterro foi continuado fiel e constantemente pela Igreja”[156]. Este cântico de louvor constitui a Liturgia das Horas, em que a “função sacerdotal (de Cristo) prolonga-se através de sua Igreja, que sem cessar louva o Senhor e intercede pela salvação de todo o mundo…”[157]. A Liturgia das Horas, “fonte de piedade e alimento da oração pessoal”[158], deve realizar-se com a convicção de que “todos aqueles que exercem esta função… enquanto louvam a Deus, estão ante seu trono em nome da mãe Igreja”[159]. Nesta oração, “complemento necessário do ato perfeito do culto divino que é o sacrifício eucarístico”[160], é necessário “que… reconheçamos nossa própria voz em Cristo e sua própria voz em nós” [161]. Dentro do possível terá que tentar realizar em comum a oração das Laudes e Vésperas.
[139]   Em especial, devemos tratar de manter a exposição e adoração do Santíssimo Sacramento durante uma hora diária –na medida do possível–, assim como a Adoração Perpétua em cada Província e distributivamente em cada Casa, posto que adorar ao Santíssimo Sacramento é “o ato mais excelente, pois comparte a vida de Maria na terra, quando lhe adorava em seu seio virginal, no presépio, na Cruz ou na divina Eucaristia. O ato mais santo, já que é este o exercício perfeito de todas as virtudes: fé, a qual é perfeita e completa quando adora a Jesus Cristo oculto, velado e como aniquilado na Sacratíssima Hóstia; esperança, já que para que pudéssemos esperar pacientemente o céu da glória, e para nos conduzir a ele, criou Jesus Cristo o formoso céu da Eucaristia; caridade, pois como o amor é toda a lei, toda ela se cumpre ao adorar a nosso Deus e Senhor no Santíssimo Sacramento com toda a mente, todo o coração, toda a alma e com todas as forças; adorando também se pode praticar a caridade perfeita para com o próximo, orando por ele e implorando em seu favor as graças e misericórdias do Salvador. O ato mais justo: adoramos ao Jesus Cristo por aqueles que não lhe adoram, lhe abandonam, lhe esquecem, lhe menosprezam e lhe ofendem”[162].
[140]   Com a reza do Santo Rosário, preferencialmente diário, meditamos a obra da Redenção consumada por Jesus Cristo, na qual associou a sua Mãe. “O Santo Rosário é um sacrifício de louvor a Deus pelo benefício de nossa redenção e uma devota lembrança dos sofrimentos, morte e glória do Jesus Cristo”[163]. “Se viu, por experiência, que aqueles e aquelas que… têm grandes sinais de predestinação, amam, gostam e recitam com prazer a Ave Maria, e que, quanto mais são de Deus, mais amam esta oração… Não sei como acontece isto, nem por que; mas, entretanto, é verdadeiro; e não possuo segredo melhor para conhecer se uma pessoa é de Deus, que examinar se ama rezar a Ave Maria e o Rosário”[164]. O Rosário é um “compêndio do Evangelho”[164], “oração evangélica centrada no mistério da Encarnação redentora”, e nele “a repetição letânica do ‘Ave Maria… ’ se converte também em louvor a Cristo”[165].
[141]   Do mesmo modo, outra prática de piedade e de veneração a Santíssima Virgem que deve nos caracterizar é o Ângelus, pelo qual “enquanto comemoramos a Encarnação do Filho de Deus pedimos ser levados por sua Paixão e Cruz à glória da ressurreição”, e no que se dão, como elementos essenciais, “a contemplação do mistério da Encarnação do Verbo, a saudação à Virgem e o recurso a sua misericordiosa intercessão”[166]. A reza do Ângelus deve nos servir “para renovar a consciência do mistério da Encarnação do Filho de Deus”[167].
Artigo 3. A vida intelectual
[142]   Deste modo é motivo de encontro a tarefa intelectual, seja na preparação, consciente e inteligente, da homilia dominical, no estudo dos casos de moral que podem apresentar-se, de ascética e mística, dos planos pastorais. Para isso é necessário saber obter o silêncio e recolhimento, o uso adequado da bibliografia necessária: “Para os Santos, o estudo era oração e contemplação”[168]. Por que alguns que aparentemente estudavam muito se equivocaram? Diz Santo Agostinho que “não conheceram o caminho (que é o Verbo) para descender desde si mesmo para Ele, para poder ascender até Ele. Ignorando, pois, este caminho, acreditam-se excelsos e luminosos como os astros, quando em realidade  vieram a terra e se obscureceu seu coração (Rom 1,21)… Não procuram com espírito de piedade o Artífice do universo, e por isso não o encontram… porque é vaidade fazer profissão destas coisas mundanas, mas é piedade o confessar a Ti”[169].
[143]   A propósito deste aspecto, deve alentar-se toda forma ordenada de acesso à cultura universal, de maneira especial, o conhecimento dos que são considerados os grandes mestres em literatura, pintura, música culta e coral, escultura, arquitetura, as modernas artes visuais… Do mesmo modo, para aqueles que tenham as devidas disposições, o conhecimento dos distintos ramos de todas as ciências humanas: físicas, matemática, astronômicas, naturais, médicas, jurídicas, sociais, políticas, históricas, filosóficas, filológicas, etc.
Artigo 4: A vida de disciplina
[144]   Os membros do Instituto habitam na própria casa religiosa, fazendo vida em comum, sob a dependência do superior[170].
[145]   Como é evidente, a vida comunitária exige uma disciplina para que cada membro ajude ao bem de todos. São de todo ponto de vista necessários horários comuns para as atividades comuns. É também necessário a partilha eqüitativa dos “ofícios” ou tarefas a desenvolver por cada um, fazendo-se responsável, em consciência, cada um do ministério que lhe foi encomendo.
A. Diálogo com o Superior
[146]   É necessário que todos os religiosos acudam com freqüência e com total confiança a seu superior para lhe manifestar seu estado de saúde, a marcha de seus estudos, do trabalho apostólico, as dificuldades que encontra na vida religiosa e na caridade fraterna, assim como tudo o que possa contribuir ao bem dos indivíduos e da Comunidade. Os superiores devem considerar este diálogo uma de suas obrigações e estar sempre dispostos a receber e escutar a seus súditos.
B. A recreação
[147] Nesta ordem merece uma menção especial o tempo dedicado à recreação ou eutrapélia, tanto em convivências, como em férias, esportes, saídas, etc. Sobre tudo nas comunidades menores não deveria desculpar-se a ninguém de sua participação. Geralmente se um de nossos membros não participa cordialmente da recreação, logo depois de corrigi-lo, se não mudar, caritativamente diga-o que não tem espírito para nosso Instituto e separe-o.
C. Para ausentar-se
[148] Os membros do Instituto habitam na própria casa religiosa e não podem ausentar-se dela sem permissão do superior ou de quem faz suas vezes. De acordo com o direito[171], estabelecemos que se é uma ausência breve, pode conceder permissão o Superior local. Se for prolongada (diuturna), pode conceder licença o Superior Provincial, não necessariamente o Superior Geral. Estabelecemos que ausência prolongada é a que se estende por mais de um mês. Para conceder a permissão de ausência prolongada, além de causa justa, o Superior necessita não um mero assessoramento, mas o consentimento de seu Conselho. Como regra geral a ausência não pode prolongar-se mais de um ano, salvo os três casos previstos[172]: por motivo de enfermidade, apostolado ou estudos.
[149]   Quando, por exigências da vida apostólica encomendada ao Instituto, os religiosos precisem viver permanentemente fora de suas comunidades, será necessário uma permissão expressa do Superior Provincial, quem o concederá ou negará tendo em conta a importância da missão a cumprir e o bem espiritual do próprio religioso. De qualquer maneira se terá que prever um regime de visitas à comunidade mais próxima para que possa manter-se mais facilmente o vínculo comum. Esta norma deve se entender do apostolado exercido em nome do Instituto, não de qualquer apostolado pessoal e livremente eleito pelo religioso.
[150]   Quando algum membro sinta alterada sua saúde terá que comunicar a notícia ao Superior e estar disposto ao que disponha com absoluto desprendimento e indiferença.
[151]   Fora destes supostos (enfermidade, apostolado ou estudos), para uma ausência superior a um ano terá que acudir-se ao indulto de exclaustração[173]. A ausência ilegítima por mais de um semestre constitui causa para poder ser expulso do Instituto[174].
d. Uso dos meios
[152]   Seja-se muito discreto no uso dos meios de comunicação, que em geral são traumáticos para levar uma vida de autêntica oração e de estudo. O pouco que se leia, veja e ouça seja sempre com grande espírito crítico. O uso indevido da televisão, o vídeo, etc., é destruidor das comunidades, já que enchem a alma de coisas que não são Deus. Deve-se evitar, tempestivamente, o que seja nocivo “para a própria vocação ou perigoso para a castidade de uma pessoa consagrada”[175].
E. Clausura
[153]   Em todas as casas deve observá-se a clausura, reservando-se uma parte da casa para o uso exclusivo dos religiosos, adaptando-se convenientemente em cada uma segundo o próprio regulamento, incluídos os mosteiros[176].
F. Hábito
[154]   Além disso, os religiosos de nosso Instituto têm que vestir o santo hábito, que é sinal de sua consagração e testemunho de sua pobreza[177]. O valor do hábito está dado “não só porque contribui ao decoro do sacerdote em seu comportamento externo ou no exercício de seu ministério, mas sobre tudo porque evidencia na comunidade eclesiástica o testemunho público que cada sacerdote está chamado a dar da própria identidade e especial pertença a Deus”[178]. Os sinais devem empregar-se agora mais que nunca, “sobre tudo neste mundo de hoje, que se mostra tão sensível à linguagem das imagens… onde se debilitou tão terrivelmente o sentido do sacro, a povo necessita também estas reclamações a Deus, que não se podem descuidar sem um certo empobrecimento de nosso serviço sacerdotal”[179]. Este sinal “para o religioso expressa sua consagração e põe em evidência o fim escatológico da vida religiosa”[180]. Amemos, pois, o hábito, que nos deve fazer pele. Dizia São Francisco de Assis que só com a presença do religioso vestido com seu santo hábito já se pregava[181].
Artigo 5: A vida pastoral
[155]   A vida pastoral, está orientada a “comunicar a caridade de Cristo”[182], nela terá que pôr especial ênfase, já que quando se realiza de maneira ordenada fomenta, de maneira eminente, a vida comunitária.
[156]   Para nós o trabalho pastoral é cruz, não motivo de escapismo; por isso nunca terá que cair no estéril ativismo: “a atividade para o Senhor não deve fazer esquecer Aquele que é o Senhor da atividade”[183].
[157]   Nos capítulos semanais, logo do primeiro ponto sobre espiritualidade e do segundo sobre as faltas, tenha um terceiro ponto para organizar –entre outras coisas– o trabalho pastoral. Ninguém assuma por si mesmo compromissos, nem de celebrar Missas, nem de pregações, etc., sem a permissão explícita do Superior –ou seu delegado– a quem corresponde coordenar ditos trabalhos apostólicos.
[158]   Saiba passar-se de uma pastoral de espera a uma pastoral de proposta, de uma pastoral burocrática a uma pastoral incisiva. Salvo a parte de clausura, tenham-se abertas as portas para que possam vir a nos consultar os paroquianos. De maneira especial tenham-se, segundo os lugares, abertos os templos, e se houver perigos, busque-se prudentemente que haja algum tipo de vigilância, mas salvo circunstâncias realmente graves e insolúveis, que o Povo de Deus possa acessar com comodidade a Jesus presente no Sacrário.
[159]   Aos pobres temos que tê-los sempre conosco, sobre tudo  dando-lhes de comer. Não tenhamos medo de que não vá alcançar para nós. Deus não se deixa ganhar em generosidade. O Superior deve ordenar tudo o que se refira à atenção dos pobres. Dado o caso, não só se atenda às obras de misericórdia urgentes, mas também às obras de promoção da justiça de médio e longo prazo.
[160]   Terá que assumir, na medida do possível, sem deixar os meios tradicionais de apostolado, os modernos campos que se abrem à atividade da Igreja. A sã criatividade é um elemento essencial da Tradição viva da Igreja. Não terá que ter medo, o mesmo Cristo nos convida: Navegai mar dentro![184]. Isto conservará sempre sua atualidade já que “Deus é sempre o que era desde sempre”[185].
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[117] Cf. F. Cervós, Vida do angélico jovem São João Berchmans, Madrid 1920, p. 150: “Mea maxima poenitentia vita communis”.
[118] Cf. 1 Pe 1,22.
[119] LG, 11.
[120] São Pio X, Exortação ao clero católico, Haerent animo (04/08/1908), 5.
[121] Homilia durante a Missa celebrada na praça de Concórdia (26/5/1985), 1: OR (07/07/1985), p. 7.
[122] São Bento, Santa Regra, XXXI, 19.
[123] São Bento, Santa Regra, LXXII, 1-12.
[124] Tertuliano, Apologética, ML 1,534.
[125] Minucio Félix, Octavias, ML 3,289.
[126] Cf. 2 Cor 11,26.
[127] Cf. 1 Jo 2,19.
[128] Santo Tomás de Aquino, S. Th., II-II, 23, 2, ad 2. Jo 2,19.
[129] Cf. Mt 26,41.
[130] Santo Agostinho, Confissões, XIII, cap. 9, 10.
[131] Santo Agostinho, Confissões, III, cap. 6, 11.
[132] Cf. RHS, nnº 254, 256-258. 261, 263.
[133] São Francisco de Assis, Escritos, Casa Editrice Franciscana, Assisi, Ed. Porziuncola 1984, p. 33.
[134] Cf. 1 Tim 5,1.
[135] Cf. Mt 18,15-17.
[136] São Clemente Romano, Carta aos Coríntios, L, 1.
[137] Santo Tomás de Aquino, S. Th., I, 103, 3.
[138] Super Evangelium S. Matthei lectura, Ed. Marietti, nº 429.
[139] Cf. Constituições da Companhia de Jesus, parte VIII, cap. 3
[140] São José de Calasanz, Vida, cap. 31, sentença 46.
[141] São João de Ávila, Segundo Memorial ao Concílio de Trento, op. cit., T. VI, p. 92.
[142] Cf. São Francisco de Assis, Fioretti, Parte I, cap. 28
[143] Cf. Mt 7,3-5.
[144] Cf. São Luís Maria Grignion de Montfort, Carta circular aos Amigos da Cruz, nº 48.
[145] São Luís Maria Grignion de Montfort, Carta circular aos Amigos da Cruz, n° 48.
[146] Cf. Is 59, 5.
[147] Cf. Mt 26,31.
[148] PDV, 43
[149] Cf. OP, 11; PO, 3; Sagrada Congregación para la Educación Católica, Ratio Fundamentalis institutio­nis  sacerdotalis (06/01/1970), 51: l.c., 356-357; PDV, 43
[150] Cf. 1 Tim 3,1-5; Tit 1,7-9.
[151] Cf. RH, 10.
[152] Cf. CIC, c. 663
[153] Cf. CIC, c. 630.
[154] SC, 10.
[155] Ibidem.
[156] Paulo VI, Constituição apostólica Laudis canticum (01/11/1970), prólogo.
[157] SC, 83
[158] SC, 90.
[159] SC, 85
[160] Paulo VI, Constituição apostólica Laudis canticum (01/11/1970), prólogo.
[161] Ibidem, 8; Cf. Santo to Agostinho, Comentarios sobre os salmos, 85,1.
[162] São Pedro Julião Eymard, Obras eucarísticas, Ed. Eucaristía, 1963, pp. 763-764
[163] São Luis Maria Grignion de Montfort, O segredo admirável do Santíssimo Rosário, nº 68.
[164] VD, nnº 250-251.
[165] Pio XII, Carta ao Arcebispo de Manila, Philippinas Insulas, A.A.S. 38 (1946).
[166] Paulo VI, Encíclica Marialis cultus (02/02/1974), 46.
[167] Ibidem, 41
[168] João Paulo II, Homilia na Missa da apresentação da Encíclica Laborem Exercens (13/09/1982); OR (20/09/1981), p. 2
[169] João Paulo II, Discurso na Itália aos participantes no simpósio internacional celebrado com ocasião do 350 aniversário da publicação dos Diálogos sobre os dois máximos sistemas do mundo do Galileu Galilei (09/05/1983), 8; OR (07/08/1983), P. 2.
[170] Confissões, V, Cap. 3, 5.
[171] Cf. CIC, c. 665
[172] Cf. CIC, c. 686
[173] Cf. CIC, c. 696, § 1
[174] Cf. CIC, c. 696, § 1
[175] Cf. CIC, c. 666.
[176] Cf. CIC, c. 667.
[177] Cf. CIC, c. 669, § 1.
[178] João Paulo II, Carta ao Card. Ugo Poletti, Vigário Geral para a Diocese de Roma (08/09/82); OR (24/10/82), p.5.
[170] Ibidem.
[180] Ibidem.
[181] Cf. São  Francisco de Assis , Fioretti.
[182] PDV, 57.
[183] João Paulo II, Alocução em Roma a União internacional de Superiores Gerais (22/05/1986), 4; OR (12/10/1986), p. 21.
[184] Cf. Lc 5,4.
[185] Santa Catarina de Sena, primeira carta a Gregório XI.

PARTE VI
APOSTOLADO
Artigo 1: Envio
[161] Jesus Cristo ressuscitado, Rei do universo, envia a seus Apóstolos a todas as nações a continuar sua própria missão redentora, que é “fazer partícipes (aos homens) da comunhão que existe entre o Pai e o Filho”[186]: ide… e ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinai-as  a observar tudo o que eu vos prescrevi (Mt 28,19-20).
[162] Este envio apresenta duas características:
- tem uma dimensão universal: todos os homens estão chamados a formar parte do Reino de Deus, já que Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim 2,4)
- implica a certeza do auxílio divino: Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo (Mt 28,20); os discípulos partiram pregaram por toda parte, o Senhor cooperando com eles… (Mc 16,20).
Artigo 2: Proclamação do Reino
[163] Em virtude deste envio, a Igreja tem como missão proclamar o Reino de Deus, que “não é um conceito, uma doutrina ou um programa sujeito a livre elaboração, senão que é acima de tudo uma pessoa que tem o rosto e o nome do Jesus de Nazaré, imagem de Deus invisível”[187]. Esta missão a realiza a Igreja com o fim de liberar o homem do pecado e da morte: Mortos pelos vossos pecados... Chamou-vos novamente a vida em companhia com Ele.É Ele que nos perdoou todos os pecados (Col 2,13), e seu principal protagonista é o Espírito Santo, que atua nos Apóstolos e em toda a Igreja[188].
[164] Por isso a fidelidade ao Espírito Santo é o que permite superar todas as dificuldades com as que se encontra a Igreja em sua missão: proibição de missionar, obstáculos de parte da cultura do lugar, falta de fervor, divisões entre os cristãos, descristianização em países de larga tradição cristã, diminuição nas vocações missionárias, mal testemunho de fiéis, mentalidade indiferentista, etc.[189], já que é o Espírito Santo o que guia para a verdade completa[190].
Artigo 3: Testemunho
[165] A missão da Igreja a realiza cada cristão, e de modo particular aqueles que se consagraram a Deus, no apostolado, que tem a mesma finalidade da Igreja: levar aos homens à conversão a Deus, “à adesão plena e sincera a Cristo e a seu Evangelho mediante a fé”[191], que deve tender à digna recepção dos sacramentos.
[166] Nesta obra de apostolado em que “se é missionário acima de tudo pelo que se é… antes de sê-lo pelo que se diz ou se faz”[192], ocupa o primeiro lugar o testemunho de vida, “primeira e insubstituível forma da missão”[193], de modo que resplandeça entre os fiéis a caridade de Cristo[194].
[167] Além disso, constitui um elemento essencial também o anúncio, que é “uma clara proclamação de que em Jesus Cristo se oferece a salvação para todos os homens”[195], já que como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?... Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo (Rom 10,14-17).
[168]   De modo particular, urge exercer o apostolado nos chamados “areópagos modernos”. Entre estes novos ambientes se encontra, em primeiro lugar, o mundo da comunicação, do qual depende em grande parte o trabalho da evangelização da cultura moderna, já que “está unificando à humanidade e transformando-a em uma ‘aldeia global’..., por isso são principal instrumento informativo e formativo… As novas gerações, sobre tudo, crescem em um mundo condicionado por estes meios”[196]. De um modo particular “há que recordar, além disso, o vastíssimo areópago da cultura, da investigação científica, das relações internacionais que favorecem o diálogo e conduzem a novos projetos de vida”[197], o compromisso pela paz, o desenvolvimento, os direitos do homem, etc. e o desejo de interioridade e de oração. “Enquanto por um lado os homens dão a impressão de ir detrás da prosperidade material e de submergir-se cada vez mais no materialismo consumista, por outro, manifestam a angustiosa busca de sentido, a necessidade de interioridade, o desejo de aprender novas formas e modos de concentração e de oração… Este fenômeno, assim chamado do “retorno religioso”, não carece de ambigüidade, mas também encerra um convite. A Igreja tem um imenso patrimônio espiritual para oferecer à humanidade: em Cristo, que se proclama o Caminho, a Verdade e a Vida (Joa 14,6).
Artigo 4: Compromissos apostólicos
[169]   O Instituto dos Missionários da Palavra assumirá os apostolados mais condizentes a inculturação do Evangelho. Por tal motivo, diversos Diretórios complementarão as Constituições, contemplando a ação apostólica nos campos mais urgentes e importantes.
[170]   Com um sentido meramente enunciativo se manifestam os campos preferenciais de ação:
[171]   a) Em sua dimensão espiritual o Instituto terá que encarar a evangelização da cultura através da santificação das pessoas individuais. Isso se fará, preferentemente, pela pregação de Exercícios Espirituais segundo o método e espírito de Santo Inácio de Loyola, e, além disso, pela direção espiritual.
[172]   b) Em sua dimensão intelectual o Instituto dará prioridade à formação sacerdotal nos Seminários; à educação em todos seus níveis; à formação de dirigentes leigos por meio dos Cursos de Cultura Católica; e aos meios de comunicação social.
[173]   c) Em sua dimensão de pastoral popular se dará preferência à ajuda às paróquias mediante a pregação (de tríduos, novenas, festas patronais) e a administração do sacramento da Reconciliação. Deste modo terão prioridade às missões populares em paróquias e zonas rurais, segundo o método e espírito de Santo Alfonso Maria de Ligório, e em todas suas formas, seja Missão intensiva, permanente, seja juvenil, infantil, dos enfermos, fabril, aberta, etc. Atendendo aos pedidos de Bispos poderá aceitar-se a direção de paróquias, preferentemente em zonas missionárias ou mais necessitadas. Em tudo se estará muito atento a respeitar, resgatar e elevar as tradições religiosas e folclóricas do lugar para que o Evangelho seja melhor recebido e faça raízes mais profundas nos corações.
[174] d) Deste modo há que privilegiar a atenção de pobres, doentes e necessitados de todo tipo: o amor de Cristo nos impulsiona (2 Cor 5,14), praticando concretamente a caridade, como testemunho, em primeiro lugar, a todos os membros de nossos Institutos de que “a caridade, só a caridade salvará ao mundo. Bem-aventurados os que tenham a graça de ser vítimas da caridade!”[198], e de que a caridade é imprescindível para evangelizar a cultura, como fim do que obra e como fim da obra, em caso contrário, não se alcançará “a civilização do amor”[199].
Artigo 5: Segunda e terceira ordem
[175]   Deste modo será tarefa apostólica preferencial a atenção, segundo seus requerimentos, das “Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará”. Como também a ajuda “com especial diligencia”, para que fiquem informadas pelo genuíno espírito de nossa família, aos institutos, associações, movimentos, irmandade do terceiro ramo de fiéis cristãos leigos[200].
[176]   Os membros do Instituto dedicados ao apostolado eminentemente espiritual trabalharão convencidos do imenso valor que tem para a vida da Igreja a santificação dos seculares. Este apostolado se resumirá como em sua fonte nas obras e o exemplo dos grandes mestres da pastoral católica.
[177]   Consideramos do mesmo modo que aos membros da Irmandade ou Confraria da Palavra a todos aqueles que alguma vez pertenceram a nossos Institutos, inclusive aqueles que procurem nos fazer mau, salvo que peçam ser excluídos. Até neste caso, continua nossa obrigação de rezar por eles e lhes fazer bem. Não por deixar nossos Institutos deixam de ser irmãos nossos muito queridos.
Artigo 6: Apostolado intelectual
[178] Os religiosos dedicados a docência procurarão imbuir-se no amor absoluto e total à verdade, trabalharão para que os princípios do Evangelho influam efetivamente na vida dos homens e combaterão com todas suas forças o engano, em meio de um mundo que acredita que o engano possui entre os homens iguais direitos que a verdade. Nas disciplinas teológicas darão ao Magistério da Igreja, à doutrina dos Santos Padres e aos ensinos de Santo Tomás do Aquino o lugar privilegiado que lhes outorgam os Papas, o Concílio Vaticano II e o Código de Direito Canônico. Em filosofia ensinarão as contribuições da Antigüidade grega recebidos pela tradição católica e que recebem o justo nome de “patrimônio filosófico perenemente válido”[201].
[179] Os que se dediquem à investigação teológica, filosófica, científica, cultural, etc., têm que ter muito em claro que, embora pareça mais distante, este trabalho intelectual não só é para maior gloria de Deus, mas também para o maior bem das almas, e entra totalmente no carisma de nosso Instituto. A respeito ensina Santo Tomás: “No edifício espiritual se encontram alguns a maneira de operários manuais, os quais de modo particular se ocupam do cuidado das almas, isto é, administrando os sacramentos ou obrando particularmente algo semelhante; mas como artífices principais se encontram os bispos, os quais governam e dispõem de que maneira os preditos operários devem executar seu ofício, pelo qual chamamos bispos, isto é, superintendentes; e similarmente, encontram-se também como artífices principais os doutores de teologia, os quais investigam e ensinam de que modo outros devem procurar a salvação das almas. Portanto é melhor ensinar a sagrada doutrina, e mais meritório, se  realizar com boa intenção, que procurar o cuidado particular da salvação deste ou daquele… a mesma razão demonstra que é melhor ensinar as coisas que pertencem à salvação a aqueles que podem aproveitar tanto para si como para outros que a quão simples só podem aproveitar para si mesmos”[202].
[180] Por outra parte, tendo em conta a especial conveniência do apostolado intelectual, particularmente por meio das publicações, já que o escrito permanece e se propaga mais, ficará uma singular ênfase na difusão do Evangelho mediante artigos em revistas de investigação ou de divulgação, monografias, livros e demais níveis de publicação.
Artigo 7: Pastoral paroquial
[181] Os religiosos que atendam paróquias, deverão privilegiar, em uma pastoral entusiasta:
     a) A Liturgia dominical, com sua homilia, preparada conscientemente. O centro da pastoral paroquial deve ser sempre a Missa aos domingos, celebrada de tal maneira que os paroquianos participem da mesma cada vez de maneira mais consciente, mais ativa e mais frutuosa[203]. Deve complementar-se com a comunhão aos enfermos.
     b) A disponibilidade para ouvir confissões em qualquer momento. Prestar-se de boa vontade à autêntica direção espiritual. Saber orientar aos que tenham “subiecto” à prática dos Exercícios Espirituais. Assumir a responsabilidade do ensino catequético de crianças e adultos.
     c) Constituir as associações de leigos convenientes para que, em uma unidade diversificada, todos os fiéis cristãos leigos possam atuar apostolicamente segundo seus carismas e disposições. As crianças e jovens atenda-lhes segundo o espírito de São Felipe Néri e de São João Bosco. Segue sendo muito atual o “Oratório”.
     d) Momentos fortes da pastoral paroquial serão: a Semana Santa, as Festas Patronais, as Primeiras Comunhões e Confirmações, a Missão popular, os Cursos de Cultura Católica.
Artigo 8: Pregadores
[182] Os religiosos dedicados preferentemente a pregação em paróquias, missões populares e atenção de paróquias em zonas necessitadas, serão em sua ação uma prolongação da obra redentora do mesmo Cristo. Para melhor cumprir sua missão, têm que estar convencidos que a melhor forma de desenvolver um apostolado eficaz é a união mais estreita com o Verbo Encarnado e o amor às almas até o heroísmo da entrega sem reservas. Tenha-se especial avaliação ao ensino dos grandes Mestres da pregação sagrada, a respeito de como deve ser a mesma[204]. “Todo homem que é anunciador do Verbo, é voz do Verbo”[205].
Artigo 9: Seleção de ministérios
[183] O Superior Geral poderá enviar a qualquer parte do mundo aonde for necessário, a qualquer dos membros do Instituto. Na seleção dos apostolados se terão em conta as sábias disposições a respeito de Santo Inácio de Loyola[206]:
[184]   Como em todas as partes se pedem operários, terá que saber fazer seleção para enviar a uma parte ou a outra, para alcançar um objetivo determinado ou outro, a tal pessoa ou a tal outra, a uma ou a dez, deste modo ou daquele, para mais ou menos tempo e demais circunstâncias. Sendo isto assim terá que sopesar muito as vantagens e os inconvenientes, procurando só a maior gloria de Deus e o bem mais universal, rezando e fazendo rezar, aconselhando-se com pessoas prudentes e decidindo segundo reta consciência diante de Deus.
[185]   Ao que é enviado, não lhe moverá ir a um lado mais que a outro –em todos está Deus– deixando total e muito livremente o destino de si mesmo ao Superior, que está posto em lugar de Cristo Nosso Senhor, orientando-o pelo caminho do maior serviço e louvor d’Ele, evitando, absolutamente, influir, no mais mínimo, sobre a vontade do Superior, com o fim de obter isto ou aquilo. Na Igreja não há destinos que sejam lugares de castigo, portanto, tampouco em nosso Instituto; e se alguém pensa assim, não sabe o que é a Igreja, nem o Instituto.
[186]   As regras que terá que ter presente, além da busca da maior gloria de Deus e do bem mais universal, são:         
         a) onde há mais necessidade de operários, porque faltam os mesmos ou porque os fiéis têm mais urgência dos mesmos;
         b) onde se dê mais frutos para glória de Deus, por ter mais facilidades, melhor disposição dos fiéis para aproveitar (o qual pode julgar-se pela insistência nos pedidos), na condição e qualidades nas que se desenvolverá e conservará melhor o fruto feito;
         c) onde houvesse maior dívida, ou seja: de onde tenham saído vocações, onde haja maiores benfeitores, onde de fato Deus nos plantou já que terá que florescer onde nos plantaram;
         d) e porque o bem quanto mais universal, é mais divino, devem preferir-se aqueles que, por razão de sua autoridade, podem fazer que o bem se estenda em muitos outros. Sejam governantes, profissionais, docentes, intelectuais, empresários, chefes, artistas, etc., como se disséssemos, é preferível evangelizar um Ministro da Economia que erradique, com justiça, todos os povoados de emergência, mais que tratar de solucionar problema por problema, embora um não tire o outro;
         e) onde haja mais mal semeado, inclusive má opinião ou má vontade contra nosso Instituto, enviando a quem por sua vida e doutrina desfaça a má opinião fundada em más informações;
         f) onde houver algo que incumbir de modo particular ao Instituto, ou não houvesse outros que se ocupem disso, preferindo-se sempre aquilo que se estenda para o bem de muitos e que seja mais duradouro;
         g) onde haja responsabilidades de grande importância, enviando-se pessoas escolhidas e de quem se tenha mais confiança; do mesmo modo, nas coisas onde haja mais trabalhos pastorais, devem destacar-se pessoas mais robustas e sãs, e aonde haja mais perigos espirituais, pessoas mais provadas e seguras na virtude.
[187]   Para o governo, é preciso assinalar a aqueles que mais se distinguem pela discrição e a prudência, enquanto que são mais aptos para o povo aqueles que têm talento para pregar e confessar.
[188]   No envio dos designados, não é conveniente que vão sozinhos, senão ao menos dois, para que entre si se ajudem nas coisas espirituais e materiais, especialmente sendo um deles de mais experiência, para imitar-lhe e aconselhar-se. Igualmente convém mesclar a um corajoso e fervente com outro circunspeto e tranqüilo, para que a diferença ajude a ambos. E se fosse de maior importância a obra, deve prover-se de mais operários;
[189] h) quando tiver de enviar-se a alguma parte ou transladar a outra, deve-se ter em conta a importância do trabalho espiritual naqueles lugares, a obrigação de acudir ali, a capacidade do Instituto para suprir em cada lugar o necessário e o fruto que se percebe aonde se esteja trabalhando atualmente;
[190] i) não repugna a isto o apresentar ao Superior as moções ou considerações que se apresentem em contra, sujeitando sempre sua vontade a do Superior;
[191] j) deve o Superior dar instruções claras sobre o ofício e destino decididos, e deste modo o súdito informar convenientemente para que o Superior possa prover quanto fizesse falta, embora fosse o súdito muito instruído e de grande experiência. Há obrigação grave de informar, pelo menos anualmente, em detalhe, por meio da “carta annua”.
Artigo 10: Descanso
[192] Os membros do Instituto saberão também interromper seus trabalhos apostólicos com períodos de retiro e reflexão espiritual sabendo que ninguém pode procurar a santificação de outros se não possuir previamente a perfeição que deseja transmitir.
Artigo 11: Peças chaves
[193] Todos os membros do Instituto participam com seu esforço da missão apostólica da congregação, mesmo que desempenhem tarefas alheias ao que é próprio do trato com as almas. Também os religiosos enfermos, e quando houver os anciãos, participam com seus sofrimentos no apostolado que exercem os outros membros, e em grau supremo, já que estão completando o que falta à Paixão do Senhor[207].
[194]   Eles –os enfermos e anciãos– junto com os membros das ramas contemplativas, os irmãos ajudantes e os que se dedicam às obras de misericórdia são as peças chaves do empenho apostólico de nosso Instituto.

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[186] RMs, 23.
[187] Ibidem, 18.
[188] Cf. DoV, 42.
[189] Cf. RMs, 35.
[190] Cf. Jo 16,13.
[191] RMs, 46.
[192] Ibidem, 23.
[193] Ibidem, 42.
[194] Cf. Ef 3,19.
[195] EN, 27.
[196] RMs, 37.
[197] Ibidem.
[198] RMs, 38.
[199] São Luis Orione, Saudação natalícia de 1934, citado em Em Caminho com Dom Orione, Ed. Pcia. Nossa Senhora da Guarda, 1974, T. I, p. 96.
[200] Paulo VI, Homilia no rito de clausura do Ano Santo (25/12/1975); AAS 68 (1976) 145; passim.
[201] Cf. CIC, c. 251.
[202] Quodl. I, VII, 2.
[203] Cf. SC, 11, 48; CD, 30.
[204] São Gregorio Magno, Regra Pastoral, em especial, parte III; São Luis Maria Grignion de Montfort, Regra dos sacerdotes missionários da Companhia de Maria, nnº 50-65; Santo Alfonso Maria de Ligório, Carta a um religioso, amigo seu, Carta a um bispo novo e Sermões abreviados, en Obras Ascéticas, T. II, Ed. BAC, Madrid, 1954, p. 335ss, p. 379ss y 465ss; Santo Antonio María Claret, Método de missionar nas aldeas ou campos e arrabaldes das cidades e Carta ao missionário Teófilo; Sagrada Congregação para os bispos, Diretório para os bispos Imago Ecclesiae, em especial, 557a y 169; João Paulo II, Discurso aos participantes no Congresso Nacional Italiano sobre o tema Missões ao povo para os anos 80 (06/02/1981); OR (08/03/1981), 2.
[205] Santo Agostinho, Sermo 288, 4: “Omnis homo annuntiator Verbi, vox Verbi est”.
[206] Cf. Constituições da Companhia de Jesus, parte VIIª, cap. 2.
[207] Cf. Cl 1,24.

PARTE VIII
GOVERNO DO INSTITUTO
Introdução
[271] O Instituto Missionário da Palavra reconhece no Supremo Pontífice a primeira e suprema autoridade e lhe professa não só obediência, mas também fidelidade, submissão filial, adesão e disponibilidade para o serviço da Igreja universal.
[272] Os Superiores, dóceis à vontade de Deus, considerarão o exercício de sua potestade como um verdadeiro serviço à Igreja e recordarão sempre que a primeira obrigação do Superior é bem mandar.
Ramo Feminino
[273] O Instituto Missionário da Palavra além de seu ramo masculino, possui como ramo feminino às Servidoras de Maria, com quem, como se sabe, indissoluvelmente unido. Essa união é espiritual, não obstante ser juridicamente independentes. A união no mesmo espírito se dá essencialmente por ter um mesmo Fundador, e pelas Constituições gêmeas, pelo Pai espiritual, eleito pelas religiosas, e pela ajuda de outros sacerdotes do Instituto do Verbo Encarnado: dos Assessores espirituais, dos Conselheiros de cada casa, dos Diretores espirituais, Professores, etc.
Ramo Contemplativo
[274] Também forma parte de Nossa família religiosa, o ramo contemplativo do Instituto Missionário da Palavra. Sua união será espiritual e jurídica, ainda que cada mosteiro funcionará como casa “sui iuris” com autonomia interna; participará no espírito e no fim próprio e específico do Instituto Missionário da Palavra.
[275] O ramo contemplativo do Instituto Missionário da Palavra reconhece no Superior Geral a primeira e suprema autoridade do Instituto do qual depende diretamente, e professa-lhe não somente a obediência, mas também fidelidade, submissão filial, adesão e disponibilidade.
[276] À frente de cada mosteiro haverá um Abade eleito pelos mesmos monges reunidos em Capítulo Geral Eleitoral. O modo de eleição e seu regulamento se fixará no Diretório do ramo contemplativo.
[277] A eleição do Abade deverá ser confirmada pelo Superior Geral com o consentimento de seu Conselho. Mediando causa grave, o Superior Geral com o consentimento de seu Conselho poderá remover ao Abade de seu cargo. Neste caso, o Vigário do mosteiro se fará cargo inteiramente do mesmo, quem deverá convocar ao Capítulo Geral do mosteiro para a eleição do novo Abade.
[278] O Abade e seu Vigário são Superiores maiores[306].
Terceira Ordem
[279] Além disso o Instituto Missionário da Palavra conta com uma Terceira Ordem Secular, “cujos membros participam do espírito e missão do Instituto e estão sob a alta direção deste”[307].
[280] A Terceira Ordem Secular está estruturada em três níveis, segundo o grau de compromisso que livremente adquiram:
- em um primeiro grau, o Instituto Missionário da Palavra tem associados aqueles fiéis leigos que aspiram à perfeição evangélica segundo o espírito do Instituto, participando de sua missão[308], obrigando-se livremente por meio de votos privados ou por algum outro vínculo sagrado;
- no segundo grau se encontram as associações de fiéis leigos: grupos ou movimentos, cada um deles com sua própria organização, que queiram participar do espírito e fim do Instituto.
- finalmente, no terceiro grau, constituído em forma amplíssima, se encontram todos aqueles fiéis cristãos que sendo amigos, simpatizantes, benfeitores, familiares, etc. querem participar conosco no espírito de nossa família religiosa.
[281] Esta Terceira Ordem, como se sabe unida a nossa família religiosa e portanto dependente da mesma em seu duplo aspecto: colegial e individual.
[282] O nexo de união o terão através do Assessor Maior, eleito pelo Superior Geral com o consentimento de seu Conselho, e através dos Superiores Provinciais do Instituto, que em suas províncias, proverão à assistência espiritual dos terciários, de acordo aos três níveis da Terceira Ordem.
Junta Coordenadora Central
[283] Do mesmo modo, se há de constituir com os Superiores Gerais de ambos Institutos, os Superiores dos distintos Institutos, Movimentos e Associações da “Terceira Ordem”, uma Junta Coordenadora Central presidida pelo Superior Geral do Instituto Missionário da Palavra, ou seu delegado, com o fim de coordenar os distintos apostolados, a atenção das fundações, a promoção do espírito dos Institutos, etc., não tendo a dita Junta nenhuma competência no que faz ao governo de cada rama.
Capítulo 1. Dos Superiores Maiores
[284] O Instituto Missionário da Palavra tem como organismo supremo de governo o Capítulo Geral que se reunirá nos tempos e forma que se estabelecem mais adiante. Permanentemente o Instituto Missionário da Palavra está governado por um Superior Geral assistido por seu Conselho.
[285] As casas do Instituto se agruparão em Províncias, Vice-Províncias e Delegações, as quais poderão ser eleitas pelo Capítulo Geral e pelo Superior Geral com seu Conselho “ad referendum” do Capítulo Geral. As Províncias serão governadas pelo Superior Provincial, assistido por quatro Conselheiros Provinciais. Serão nomeados: o Superior Provincial pelo Superior Geral com o consentimento de seu Conselho, por maioria absoluta; os dois primeiros conselheiros nomeados pelo Superior Provincial; e os outros dois serão escolhidos pelos religiosos de votos perpétuos atribuídos às Províncias (inclusive, escolherão três Conselheiros suplentes). Achando-se presente a maioria dos que devem ser convocados, a designação recairá sobre aqueles que tenham a absoluta maioria de votos; depois de dois escrutínios ineficazes, faça-se a votação sobre os dois candidatos que tenham obtido maior número de votos, ou se forem mais, sobre os dois mais antigos em profissão e se forem do mesmo tempo sobre o de mais idade; depois do terceiro escrutínio, se persistir o empate, fica eleito o mais antigo, e se forem nisto iguais, o de mais idade[309].
[286] Quando um grupo homogêneo de casas não reúne as condições mínimas para ser constituído em Província, constituir-se-á uma Vice-Província ou uma Delegação, conforme seja o grau de desenvolvimento que tenha alcançado em vistas a constituir-se em Província. As Vice-Províncias e as Delegações serão governadas por um Superior nomeado pelo Superior Geral com o consentimento de seu Conselho, com as atribuições que considere necessárias.
[287] As nomeações de Superiores, por parte do Superior competente, deve ir precedidos de uma consulta apropriada[310], conforme se estabelece no Diretório de Governo.
[288] Os Superiores Locais das casas de formação – Seminários maiores, Noviciados e Seminários Menores-, e os Reitores de Universidades serão escolhidos pelo Superior Geral com o consentimento de seu Conselho por maioria absoluta, e com o parecer do Superior Provincial.
[289] O primeiro dos Conselheiros nomeados pelo Superior Provincial desempenhará as funções de Vigário Provincial e o segundo de Secretário.
[290] Entre os dois Conselheiros restantes, o Superior Provincial designará ao Ecônomo Provincial.
[291] Quando por renúncia, demissão, traslado ou outra causa, algum dos Conselheiros escolhidos pelo Capítulo Geral deixe de pertencer ao Conselho Geral, será substituído pelo primeiro suplente, e assim sucessivamente.
[292] Em cada comunidade local do Instituto Missionário da Palavra haverá um sacerdote que desempenhará o cargo de Superior Local, assistido, salvo que não seja possível pelo número de sacerdotes, por um Conselho com quatro membros; os dois primeiros escolhidos diretamente pelo Superior Local, os quais desempenharão respectivamente o cargo de Vigário e Secretário locais. Os restantes dos membros serão escolhidos pelos sacerdotes que conforme à dita comunidade, por maioria simples; e um deles será eleito pelo Superior Local para o ofício de Ecônomo Local.
Capítulo 2: Dos Capítulos Gerais
Artigo 1: Da convocação aos Capítulos
[293] Os Capítulos Gerais são ordinários e extraordinários; os quais podem ser: eletivos, deliberativos ou consultivos.
Os Capítulos ordinários eletivos se reunirão regularmente cada seis anos ou quando se faz necessário o falecimento, renovação, remoção
[311] ou renúncia do Superior Geral.
     Os Capítulos Gerais extraordinários se reunirão quando tiver que estudar algum assunto grave de maior importância para o Instituto Missionário da Palavra.
     O lugar onde se deve celebrar o Capítulo Geral é a casa matriz ou outra que facilite a confluência dos sacerdotes que têm que assistir ao mesmo.
[294] Ao Capítulo Geral convocado e presidido pelo Superior Geral ou pelo que faça suas vezes serão convocados com voz e voto deliberativo os membros do Instituto mencionados a seguir:
         1) Por razão de seu ofício:
     - Os ex-superiores Gerais do Instituto Missionário da Palavra.
     - Os Conselheiros Gerais.
     - Os Superiores Provinciais.
     - Os Reitores dos Seminários Maiores.
     - Os Reitores de Colégios clericais erigidos.
         2) Delegados por eleição:
     - Sacerdotes de votos perpétuos por cada Província e Vice-Província, segundo      proporção em base ao número de membros de cada jurisdição, escolhidos pelos      membros professos perpétuos por maioria absoluta. A proporção numérica deverá ser      estabelecida em um regulamento pré-capitular.
     - Dois Superiores de Mosteiros, escolhidos conforme opina o Diretório para a rama      contemplativa, por cada seis Mosteiros.
     Se deve ter em conta, quanto se refere à capacidade e condições dos votantes e      do voto no direito comum
[312].
[295] O número de membros do Capítulo Geral delegados por eleição deve ser superior ao dos participantes por razão de seu ofício.
Artigo 2: Da celebração do Capítulo
[296] As sessões não podem proceder validamente sem a presença do:
        - Presidente.
        - Secretário Capitular.
        - Escrutinadores.
        - Regulamento capitular.
[297] O Presidente do Capítulo é o Supremo Moderador –o Superior Geral– ou quem faça suas vezes.
[298] Os Capitulares escolherão por votação secreta um Secretário Capitular e dois auxiliares, e quando a natureza do Capítulo seja eletivo ou deliberativo, também se escolherão dois escrutinadores.
[299] Aberto o Capítulo Geral se realizará uma profissão de fé a tenor do C. 833. Logo o Secretário Capitular procederá a lavrar uma ata onde constem os membros que assistem a dito Capítulo. Igualmente, levantará uma ata em que conste a respeito dos quais recaiu a eleição de Secretário Capitular, auxiliares e escrutinadores e deixará constância da ordem do dia.
[300] Em tempo oportuno se procederá à eleição de Superior Geral, que se realizará sob a presidência do Bispo diocesano da sede principal do Instituto[313], por votos livres, secretos, certos e absolutos, pela maioria de dois terços dos votos dos Padres Capitulares presentes. Depois de dois escrutínios ineficazes, onde não se alcançaram a maioria de dois terços, faça uma terceira votação recaindo sobre os dois candidatos que tiverem obtido o maior número de votos, ou se forem mais sobre, os dois mais antigos em profissão ou se forem do mesmo tempo sobre o de mais idade; depois do terceiro escrutínio, se persistir o empate, fica eleito o mais antigo, e se forem nisto iguais, o de mais idade[314]. O Superior eleito deverá ser notificado deste imediatamente. A partir daí contará com um prazo de oito dias úteis para aceitar ou não o ofício e nomear Vigário, Secretário e Ecônomo Geral em caso positivo.Os designados pelo Superior Geral contarão, por sua vez, com igual prazo para aceitar ou não a nomeação.
[301] Terminada a eleição do Superior Geral, o Capítulo procederá à eleição dos dois membros do Conselho Geral correspondentes, por absoluta maioria, e do primeiro, segundo e terceiro Conselheiros suplentes, por igual maioria. No caso que as nomeações realizadas pelo Superior Geral recaiam sobre algumas das pessoas escolhidas pelo Capítulo para Conselheiros ou Suplentes, terão prioridade as nomeações efetuadas pelo Superior Geral, e será ele mesmo quem terá que completar os cargos. Os membros do Conselho Geral escolhidos pelo Capítulo durarão em suas funções o mesmo período que o Superior Geral, podendo, não obstante, ser reeleitos[315].
[302] Verificadas as eleições, o Capítulo celebrará as sessões necessárias nas que o novo Superior Geral se informará sobre o estado do Instituto do Verbo Encarnado. Os demais religiosos assistentes poderão fazer as observações a respeito de quanto estime digno de ser tratado para o bem das Províncias e casas do Instituto Missionário da Palavra.
[303] Os assuntos principais a tratar em Capítulo Geral são:
1) Defesa do Patrimônio do Instituto Missionário da Palavra; procurar a acomodação e renovação de acordo com o mesmo; eleição do Superior Geral e emanação de normas que tenham vínculo para todo o Instituto Missionário da Palavra [316].
2) Reforma de algum ponto das Constituições, que prévia aprovação das duas terças partes dos membros do Capítulo Geral aprovará a autoridade eclesiástica competente[317].
3) Revisão e acomodação dos Diretórios gerais[318], regulamentos e demais normas.
4) A divisão de todo o Instituto Missionário da Palavra em Províncias[319]; supressão de Províncias[320]; e fundação de Vice-Províncias.
5) Definição do modo de observância dos conselhos evangélicos[321].
6) Alguns já dedutivos dos já mencionados.
7) Tratamento de outros assuntos maiores e desejos e sugestões que, livremente, queiram aportar[322].
Capítulo 3: Do Governo Central
Artigo 1: Do Superior Geral
[304] Permanentemente o Instituto está governado por um Superior Geral assistido por seu Conselho, o qual estará integrado por cinco conselheiros. Dos seis membros do Governo Geral, o Superior Geral ao menos dois conselheiros serão eleitos pelo Capítulo. O Vigário, o Secretário e o Ecônomo Geral serão nomeados pelo Superior Geral.
[305] O Superior Geral terá a representação superior do Instituto e exercerá as funções de primeira autoridade, atendendo ao cuidado e governo do Instituto do Verbo Encarnado e de todos seus membros a respeito das presentes Constituições e do direito canônico vigente.
     A jurisdição de sua potestade é sobre tudo o Instituto do Verbo Encarnado e sobre todos e cada um de seus membros, tanto nas casas de vida apostólica quanto nas de vida contemplativa.
     Para ser eleito e desempenhar este cargo há que reunir as qualidades de aptidão, discrição, prudência, maturidade e outras que seu desempenho exige.
     Requer-se que o eleito seja sacerdote e tenha ao menos 15 anos de professo perpétuo
[323] no Instituto Missionário da Palavra, e que tenha completo 40 anos de idade.
     O Superior Geral permanece seis anos em suas funções e pode ser reeleito.
[306] - Deve- se buscar que o que desempenhe o cargo de Superior Geral esteja fora de desejar sê-lo ou procurá-lo, da mesma forma os outros Superiores.
[307] - Evite, o Superior Geral, preferência com seus súditos. Tenha eqüidade de ânimo com todos. Não faça “acepção de pessoas”. A acepção de pessoas é um pecado oposto à justiça distributiva, que procura distribuir os cargos, ofícios e cargas, em vistas ao bem comum, proporcionalmente segundo a dignidade ou capacidade das pessoas. E em justiça, segundo a ordem ao bem comum, terá que pôr a pessoa apta em cada lugar. É necessário, para isto, atender à causa que faz apta a tal pessoa para tal coisa, quer dizer, a sua condição. Mas quando não se considera a causa, em ordem ao bem comum, senão que só a pessoa, cai neste vício da “acepção de pessoas”, quer dizer, nomeia-se a tal ou qual só por ser tal ou qual, não por sua idoneidade, deslocando a quem, em justiça, deveria ocupar esse lugar. Este tipo de injustiça está expressamente proibido na Sagrada Escritura[324]. O Superior deve ser pai a imagem do Pai Celestial, Quem não faz acepção de pessoas (At 10,34).
[308] - Deve-se  exigir que o Superior Geral guarde grande fidelidade às Constituições e que não permita que por ter grande liberdade, nela dispense por causa leve o cumprimento das mesmas.
[309] - Nunca  repreenda com ira. Seja manso com todos e consigo rigoroso. Nunca diga a seu respeito coisa digna de louvor, se não tiver esperança de que haverá proveito, do contrário seja com humildade considerando que são dons de Deus.
[310] - Todas  as funções e obrigações que corresponda ao Superior Geral em razão de seu cargo, as desempenhe com um marcado espírito de serviço. Sua potestade é serviçal ou seu serviço é de potestade, tem que governar como o que serve, porque está obrigado em razão de seu ofício a servir mandando: o maior entre vós seja como o menor, e o que manda como quem serve (Lc 22,26).
[311] São atribuições e deveres do Superior Geral:
         1º- Governar  aos súditos como  filhos de Deus; tem que projetar sobre os súditos a mesma caridade com que Deus os ama enquanto filhos, e o mesmo amor fraterno com que Deus amando aos Superiores e aos súditos, deseja que estes se amem entre si.
         2º- Mostrar  veneração à pessoa humana apoiada na dignidade de toda pessoa, mais especificamente na dignidade acrescentada do batizado e consagrado, e até mais em concreto, no acúmulo de dotes inatos e adquiridos que conformam a personalidade de cada súdito.
         3º- Promover a obediência voluntária, impulsionando a voluntariedade na obediência, a liberdade submissa. Quem livremente professou obediência, voluntariamente deverá pôr os atos específicos da praxe daquele conselho. É um ideal cuja prolongação efetiva será o sinal sobrenatural e humano do reto exercício da potestade.
         4º- Ouvir de bom grado. Não é o ouvir de quem assente, nem o escutar de quem tem ouvidos surdos, nem o atender do discípulo, nem o ensinar do mestre. Isto não compreende nem um dever de resposta, que pode não existir, ou não ser prudente ou ser obrigatório o não dá-la, nem um dever de acordo e coincidência no dialogado, tantas vezes inexistente ou inalcançável, nem um dever de decisão ajustada à posição do súdito.
         5º- Fomentar suas iniciativas para o bem do Instituto Missionário da Palavra e da Igreja. Vê-se por ofício, obrigado a suscitar múltiplas iniciativas ao bem do Instituto, e se exclui positivamente a passividade ofensiva de quem espera que tudo lhe seja proposto por outros.
6º- Decidir e mandar o que se deva fazer, contando para isso com a faculdade de delegação que lhe outorga o direito comum[325].
[312] São funções específicas e próprias do Superior Geral, além das estabelecidas pelo C. 619 do CIC, as seguintes:
1º- Procurar a conservação e aumento do Instituto Missionário da Palavra.
2º- Promover entre seus súditos o conhecimento e a observância dos decretos da Santa Sé de algum modo referente aos religiosos.
3º- Vigiar a observância das Constituições e velar para que se mantenha o espírito do Instituto do Verbo Encarnado.
4º- Promover o quanto que lhe seja possível o bem espiritual e temporal de todos os membros do Instituto e vigiar que todos cumpram seus respectivos deveres e obrigações.
5º- Presidir as sessões do Conselho Geral e apresentar ao mesmo os assuntos que devam tratar-se. O Superior poderá consultar ao Conselho todas as vezes que o considere necessário.
6º- Comunicar aos Superiores Provinciais, e também diretamente aos Locais, quando o estimar conveniente, as resoluções do Conselho de que devam ter conhecimento.
7º- Nomear aos Superiores Provinciais e Locais de sua competência, e às autoridades das Vice- Províncias e Delegações que assim corresponda, com o consentimento de seu Conselho. Ditas pessoas deverão ser notificadas do ofício para o qual foram nomeadas, podendo no prazo de oito dias úteis aceitar ou não o ofício respectivo.
8º- Dentro dos limites de sua própria competência, o Superior Geral, pode conceder dispensas –relaxações de leis meramente eclesiásticas em um caso particular[326] - em todo lugar, a respeito de seus súditos, e também a respeito de si mesmo[327]; nas condições exigidas pelo direito comum[328].
9º- A visita, inspeção e direção geral de todas as Províncias e casas do Instituto do Verbo Encarnado.
10º- Erigir ou suprimir Noviciados, Seminários Maiores e Menores, e outras casas de formação, com o consentimento de seu Conselho.
11º- Vigiar tudo o referente à formação espiritual e intelectual dos religiosos, determinando planos de estudo, designando os Reitores de Seminários Maiores e Menores, como também Mestre de noviços, com o consentimento de seu Conselho.
12º- convocatória dos Capítulos Gerais ordinários e extraordinários, de acordo às presentes Constituições.
13º- Aprovar os regulamentos que se ditem nas casas de formação, com o consentimento de seu Conselho.
14º- Conceder licença para publicar escritos que se refiram a questões de religião ou aos costumes[329].
15º- Conceder e nomear ao sacerdote eleito pela rama feminina para Pai Espiritual, com o consentimento de seu Conselho.
[313] O Superior Geral, poderá ser removido de seu cargo pelas razões invocadas pelo direito comum[330].
Artigo 2: Dos membros do Conselho Geral
a. Do Vigário Geral
[314] É a segunda autoridade da Congregação a quem estão obrigados a obedecer todos os religiosos depois do Superior Geral; exercerá sua autoridade segundo o dito, somente quando tiver que substituir ao Superior Geral ou atue com funções delegadas do mesmo.
[315] As nomeações que são competência do Superior Geral não poderão ser realizados pelo Vigário Geral.
[316] O Vigário Geral será suprido em suas funções, em caso de vacância ou ausência, por quem designa o Superior Geral.
[317] O sacerdote que tenha que desempenhar este cargo, além das aptidões necessárias ao efeito, deverá contar com, ao menos, 10 anos de professo perpétuo e 35 de idade.
[318] O Vigário Geral poderá ser removido de seu cargo pelas mesmas razões que o Superior Geral. O mesmo vale para todo Superior[331].
[319] Além das obrigações que o Vigário Geral tem como primeiro dos Conselheiros gerais, deverá substituir ao Superior Geral em sua ausência, enfermidade ou outros impedimentos. Do mesmo modo, ocorrendo a  morte, renovação, renúncia ou remoção do Superior Geral, tomará o Vigário a seu cargo o governo interino do Instituto Missionário da Palavra, sem que se proceda à nova eleição até transcorridos quatro meses a partir da data vacante e não podendo fazer translação nem nomeação de Superiores Provincias nem Locais fora do caso de necessidade. Transcorridos os quatro meses, o Vigário Geral não poderá diferir a convocatória para a eleição do Superior Geral mais à frente do trimestre seguinte.
b. Do Secretário Geral
[320] O cargo será desempenhado por um sacerdote que tenha ao menos 35 anos de idade, 10 anos de votos perpétuos e possua as qualidades que requeira seu ofício.
[321] É incumbência do Secretário Geral:
- Estender as atas das sessões celebradas nos Capítulos Gerais e nos Conselhos.
- O despacho das comunicações do Superior Geral no que se refere a toda a matéria de suas funções.
- Cuidar e ter ao dia a documentação do Instituto, a respeito de pessoas, casas, Províncias, relações com entidades religiosas e civis, contratos, estatísticas, etc.
c. Do Ecônomo Geral
[322] O sacerdote Conselheiro a quem tem de confiar o cargo de Ecônomo Geral deverá ter ao menos a idade de 35 anos, 10 anos de votos perpétuos e reunir as qualidades necessárias para seu cargo.
[323] Corresponde ao Ecônomo Geral a administração do Instituto sob a autoridade do Superior Geral e a vigilância de seu Conselho. Terá particular cuidado de vigiar toda a documentação referente aos bens e sua custódia.
[324] O Ecônomo Geral cuidará de registrar a entrada e saída de recursos e valores. Dará razão do estado das mesmas ao Conselho uma vez a cada trimestre e sempre que por ele seja requerida[332].
d. Dos outros Conselheiros Gerais
[325] Formarão deste modo parte do Conselho outros dois sacerdotes, além dos ditos anteriormente, os quais receberão o nome de Conselheiros Gerais.
[326] Estes deverão ter ao menos a idade de 35 anos, 10 anos de votos perpétuos e gozar das condições de prudência e demais necessárias para o exercício de seu cargo, em correspondência com outros membros do Conselho.
[327] Em caso de substituição dos Conselheiros Gerais escolhidos diretamente pelo Superior Geral, este mesmo nomeará aos substitutos. O mesmo vale para a substituição de Conselheiros Provinciais ou Locais, que são nomeados diretamente pelo Superior Provincial ou Local respectivamente.
Capítulo 4. Do Conselho Geral
Artigo 1: Das atribuições
[328] Atuação como Colégio: O Superior Geral o integra como primeiro entre iguais com direito a voto. A decisão é associada[333] e obriga a sua execução. O Colégio será convocado de acordo com o c. 166 do CIC e deverá contar, com ao menos, 4 membros para poder fazer a sessão. As atribuições do mesmo são as seguintes:
         - Aprovação dos Diretórios do Instituto Missionário da Palavra, ad referendum do Capítulo Geral; modificar os já aprovados, quando for necessário, também ad referendum do Capítulo Geral, de maneira especial para adequá-los aos novos documentos do Magistério da Igreja. A modificação do Diretório de Mosteiros deverá contar com o voto favorável das duas terças partes da totalidade dos membros professos perpétuos da Rama monástica.
 - Decreto de expulsão, pela absoluta maioria dos membros presentes[334].
[329] Atuação com voto deliberativo: o Conselho atua de acordo com o c. 127 § 1 do CIC, mas não como Colégio, senão como grupo de pessoas das quais se requer seu consentimento. As decisões se tomarão pela absoluta maioria dos presentes. O ato final será pessoal e facultativo do Superior, o qual poderá obrar conforme a dita decisão ou abster-se de obrar. O Conselho, que será convocado segundo o modo disposto no c. 166 do CIC, deverá decidir sobre:
         - Fundação das Províncias, Vice-Províncias e Delegações ad referendum do próximo Capítulo Geral.
         - Admissão ao diaconato e ao presbiterado.
         - Fundações de casas
[335].
         - Supressão de casas
[336].
         - Venda de bens
[337].
         - Fundação ou supressão de Noviciados
[338], Seminários Maiores e Menores, e outras casas de formação.
         - Exceção para realizar o Noviciado em outra casa
[339].
         - Mudança de Instituto
[340].
         - Exclaustração de sacerdotes de votos perpétuos
[341].
         - Indulto de saída para os religiosos de votos temporários
[342].
         - Readmissão de ex-membros
[343].
         - Nomeação feita pelo Superior Geral de Superiores Provinciais, Superiores das Casas de Formação, Reitores de Universidades e do Assessor Maior das Ramas laicais; confirmação do Pai Espiritual eleito pela rama feminina e dos Abades.
[330] Atuação com voto consultivo: o Conselho atua também neste caso como grupo de pessoas, requerendo-se o conselho ou opinião de todas elas para a validez do ato. O ato final será pessoal e facultativo do Superior, quem pode obrar ainda em contra do aconselhado unanimemente, se considera ter razões suficientes para isso. Será convocado conforme o determine o direito próprio[344], para tratar sobre os seguintes assuntos:
         - Normas a respeito dos bens próprios dos professantes[345].
         - Aprovação dos Regulamentos locais de Mosteiros, das Casas de formação e de outros Regulamentos de caráter geral.
Artigo 2. Das reuniões do Conselho Geral
[331] Haverá duas classes de reuniões do Conselho Geral: ordinárias e extraordinárias, presididas pelo Superior Geral e em sua ausência pelo Vigário Geral ou o que faça as suas vezes.
[332] As ordinárias se realizarão regularmente cada mês, e as extraordinárias quando a necessidade o exigir. Em umas e outras se tratarão e resolverão os assuntos correspondentes ao Instituto, que sejam apresentados pelo que preside ditas reuniões. Para a validez das reuniões se requer a presença de ao menos três membros, salvo o disposto pelo parágrafo [328] destas Constituição.
[333] Os membros do Conselho têm direito a apresentar propostas sobre os seguintes temas, sendo eles: formação, apostolado, disciplina, vida espiritual e outras sugestões, as quais deverão ficar assentadas na ata em que se trabalha na reunião correspondente.
[334] Os membros do Conselho devem expor seu parecer com fidelidade e sinceridade dando seu consentimento nos assuntos de maior importância que assim o requeiram.
[335] Fora dos casos em que o Conselho atua colegialmente, o Superior se acha fora e sobre seu Conselho, o qual significa que não lhe corresponde votar, mesmo quando se exija seu parecer ou consentimento enquanto grupo de pessoas[346], ou enquanto pessoas individuais[347].
[336] Dentro do primeiro trimestre do ano e em reunião ordinária serão submetidas a exame e aprovação as contas de ingresso e gasto da administração geral do Instituto Missionário da Palavra.
[337] As Províncias e casas do Instituto Missionário da Palavra devem apresentar e submeter ao Conselho Geral a conta de ganhos e gastos de cada ano dentro do primeiro trimestre do ano seguinte. O que não impede para que o Superior Geral por si ou por outro, e o mesmo o Superior Provincial, devam revisar as contas das administrações provinciais ou locais com ocasião da visita canônica ordinária ou extraordinária.
[338] Previna-se com especial rigor aos religiosos que formam parte do Conselho que guardem reserva absoluta sobre os assuntos que se tratem nas reuniões do mesmo. Só o Superior Geral, quando convir poderá comunicar com a devida discrição os acordos do mesmo.
Capítulo 5. Do Governo Provincial
Artigo 1: Das Províncias
[339] Com o fim de fazer mais fácil e eficaz o regime do Instituto Missionário da Palavra, se estabelece no mesmo de modo permanente, segundo as diversas condições de pessoas, lugares e tempo, divisões territoriais que se chamam Províncias.
[340] Corresponde ao Capítulo Geral, e ao Superior Geral ad referendum do Capítulo Geral, o estabelecimento ou mudança de limites das Províncias e Vice-Províncias, de acordo com as normas que a continuação indica:
         a) Para que um território ou grupo de casas possa ficar constituído em Província se requer como mínimo que exista canonicamente estabelecida pelo menos três casas do Instituto Missionário da Palavra.
         b) Deve ter em conta a homogeneidade do território e a realidade sócio-cultural do mesmo na medida do possível e também a facilidade das comunicações e as conveniências administrativas.
         c) Quando um grupo homogêneo de casas não reúnam as condições mínimas para ser constituídas em Província poderá constituir uma Vice-Província, com unidade autônoma de governo e administração, quando requerer uma clara conveniência. Estas Vice-Províncias serão governadas por um Superior Vice-Provincial nomeado pelo Superior Geral com o consentimento de seu Conselho e, na medida do possível, regerão da mesma maneira que as Províncias.
[341] Sob a direção do Superior Geral e seu Conselho, cada Província está governada por um Superior Provincial, ao qual assistem quatro Conselheiros provinciais.
Artigo 2: Do Superior Provincial
[342] O sacerdote para ser nomeado Superior Provincial, além das aptidões necessárias físicas e morais que o acertado desempenho do cargo exige, deve ter ao menos 10 anos de votos perpétuos e 35 anos de idade.
[343] O cargo de Superior Provincial dura 3 anos, terminados os quais o religioso que cessa no cargo poderá ser confirmado para outro triênio na mesma Província, mas habitualmente não mais.
[344] O Superior Provincial exercerá sua potestade sobre todas e cada uma das casas que integrem a Província sob sua jurisdição, não assim sobre os Mosteiros de vida contemplativa que se achem no mesmo território pois estes constituem casas “sui iuris” com autonomia governamental e dependência direta do Superior Geral e seu Conselho.
[345] São atribuições e deveres do Superior Provincial:
         1º - Exercer a autoridade na Província sob a dependência do Superior Geral cujas comissões levará a exato cumprimento e a quem lhe informará convenientemente da vida da Província.
         2º - Nomear aos dois primeiros membros do Conselho Provincial, quer dizer, ao Vigário e ao Secretário.
         3º - Nomear aos Superiores Locais com o consentimento de seu Conselho.
         4º - Presidir as sessões do Conselho Provincial e propor ao mesmo os assuntos a tratar. O Superior poderá consultar a seu Conselho todas as vezes que o considere necessário.
         5º - Comunicar aos Superiores Locais as resoluções e decretos que receba do Conselho Geral e Provincial.
         6º - Resolver as consultas que lhe proponham os Superiores das casas ou os religiosos e também segundo a importância do assunto, transladar os que assim convenha ao Superior Geral e seu Conselho.
         7º - Transmitir ao Superior Geral quantas notícias e informe pudessem servir para proceder com conhecimento às nomeações de: Mestre de noviços, Superiores, Conselheiros e demais cargos segundo os casos.
         8º - Visitar as casas de sua Província uma vez ao ano e quantas vezes e circunstâncias especiais o fizessem necessário.
         9º - Admitir os postulantes ao Noviciado e à profissão temporária ouvindo seu Conselho. Deste modo prorrogar o tempo de profissão temporária com o consentimento de seu Conselho
[348].
         10º - Admitir os noviços à profissão perpétua, com o consentimento do Conselho Provincial, por maioria absoluta.
         11º - Excluir da profissão subseqüente, ouvido seu Conselho
[349].
         12º - Conceder a permissão para a ausência prolongada da comunidade
[350].
[346] Para que o Superior Geral esteja bem informado da vida e boa marcha do Instituto, além dos relatórios ordinários, ao fim de cada ano os Superiores Provinciais enviarão uma relação exata e detalhada do estado disciplinar e econômico da Província e seu governo, junto com a carta “annua” pessoal.
[347] O Superior Geral, com o consentimento de seu Conselho por maioria absoluta, poderá conceder aos Superiores Provinciais faculdades mais amplas dentro das normas do direito, principalmente aos que se encontram em lugares mais apartados. Mas as faculdades - tanto ordinárias como extraordinárias - concedidas aos Superiores Provinciais, não poderão limitar de nenhum modo a autoridade e os direitos que segundo as Constituições competem ao Superior Geral e a seu Conselho.
Artigo 3: Dos membros do Conselho Provincial
a. Do Vigário Provincial
[348] O primeiro Conselheiro provincial exercerá, quando o exigirem as circunstâncias, o cargo de substituto do Superior Provincial e em sua falta será substituído nestas funções pelo Conselheiro que lhe siga segundo rigorosa ordem.
[349] O sacerdote que tenha que ser primeiro Conselheiro provincial, além de possuir as aptidões que o cargo requer, deve ter ao menos 10 anos de votos perpétuos e 35 anos de idade.
b. Do Secretário Provincial
[350] O segundo dos Conselheiros de nomeação direta será Secretário e arquivista provincial cuja solicitude ficarão encomendados o despacho dos documentos provinciais e a conservação do arquivo de governo da Província.
c. Do Ecônomo Provincial
[351] O Superior Provincial nomeará entre os dois Conselheiros restantes ao Ecônomo provincial. O sacerdote a quem tem de confiar-se este cargo deverá possuir a habilidade necessária para o acertado desempenho do mesmo.
[352] Corresponde ao Ecônomo provincial a administração e custódia, sob a autoridade de seus Superiores, dos bens da Província, tendo particular cuidado em levar com exatidão toda a documentação referente aos mesmos. Cuidará de levar os livros de entradas e saídas da caixa da Província. Apresentará este livro, com as demais informações pertinentes, ao Superior Provincial e seu Conselho para seu conhecimento, revisão e aprovação uma vez cada trimestre e sempre que lhe for requerido pela autoridade competente.
d. Dos demais Conselheiros
[353] Os demais Conselheiros Provinciais, além das referidas aptidões para o cargo, devem ser religiosos de votos perpétuos e ter, pelo menos, 30 anos de idade.
[354] O Conselheiro provincial durará em seu cargo por 3 anos, terminados os quais poderão os Conselheiros ser novamente nomeados, mas não habitualmente por um terceiro triênio.
Artigo 4: Dos Conselhos Provinciais
[355] São atribuições e deveres do Conselho Provincial:
         a) Tratar os casos que lhe sejam apresentados e sejam de sua competência, mediante voto consultivo ou deliberativo, conforme as normas do direito comum e particular.
         b) O exame e aprovação das contas da Província.
         c) Dar seu voto consultivo para a admissão dos postulantes ao Noviciado e à profissão temporária; e seu consentimento para a admissão aos religiosos de votos simples à profissão perpétua, por maioria absoluta dos pressente.
[356] O Conselho Provincial será convocado obrigatoriamente uma vez ao mês e poderá celebrar sessões extraordinárias sempre que o Superior Provincial, ou o que faça suas vezes, estimá-lo conveniente. Para a validez das sessões se requer a presença de, ao menos, dois membros.
Capítulo 6. Das Visitas Canônicas
[357] O Superior General deverá visitar oficialmente cada uma das Províncias e casas do Instituto do Verbo Encarnado, ao menos uma vez durante o período de seu governo e sempre que a necessidade o exija; e sem caráter de visita oficial, quando o estimar oportuno.
[358] Se chegasse o caso em que não pudesse desempenhar por si mesmo o grave encargo da visita oficial, encarregá-lo-á a um religioso Visitador renomado por ele diretamente.
[359] O Superior Provincial visitará, por razão de seu ofício, todas e cada uma das casas de sua respectiva Província três vezes durante o triênio de seu cargo, e quantas vezes as circunstâncias especiais o fizerem necessário.

Capítulo 7.  Do pessoal das casas
[360] Em cada uma das casas tem que haver um número tal de religiosos que protejam a vida comunitária e possibilitem a prática dos conselhos evangélicos[351]. Para isso, salvo casos excepcionais, deverão estar destinados, pelo menos, três religiosos.
Artigo 1: Do Superior Local
[361] O Superior é a cabeça de família em cada casa; seus mandatos e ordens deverão ser obedecidos com docilidade e exatidão e submissão religiosa por todos os religiosos da comunidade.
[362] A nomeação do Superior Local tem que ir precedido de uma consulta apropriada[352]. Para que um religioso possa ser nomeado Superior Local, além das dotes de governo, religiosidade, espírito de observância e demais que o cargo exige, deverá ser sacerdote e contar, ao menos, com 30 anos de idade e 5 anos de profissão perpétua[353].
[363] Durará no cargo por três anos e regularmente não poderá ser renomado para um terceiro triênio imediato na mesma casa.
[364] O Superior Local tem as seguintes atribuições e deveres:
1) O governo da comunidade, olhando os fins da vida religiosa e os peculiares do Instituto.
2) Vigiar o cumprimento das Constituições; velar se mantenha o espírito do Instituto do Verbo Encarnado e dispensar de algum ponto disciplinar em casos particulares, por causa razoável e de acordo com as normas estabelecidas pelos Superiores Maiores do Instituto Missionário da Palavra.
3) Promover entre os religiosos da comunidade o conhecimento e cumprimento dos decretos da Santa Sede referentes aos religiosos ou que possam lhes interessar de algum modo.
4) A nomeação dos dois primeiros Conselheiros, nos casos em que seja possível, com a consulta do Superior Maior imediato; e dos responsáveis para os distintos ofícios. As pessoas que foram nomeadas deverão ser notificadas e aceitarão ou não a nomeação no prazo de oito dias úteis.
5) Ditar as disposições que julgar pertinentes à boa ordem e serviço da casa e suas dependências, e quanto possa conduzir ao maior bem da família encomendada a seu cuidado e solicitude.
6) A presidência em todos os atos da casa, exceto nos casos em que assistam alguns dos Superiores Maiores.
7) A resolução nos casos graves e urgentes quando não se pode recorrer ao Superior General ou Provincial, dando conta depois de suas resoluções ao Superior Maior competente indicando os motivos das mesmas.
8) Reunir seus Conselheiros uma vez ao mês e quando houver necessidade disso, a fim de que ouvindo estes, resolva o que melhor estime no Senhor. Para a validez desta reunião se requer a presença de, ao menos, dois membros do Conselho Local.
9) A redação do regulamento local junto com seu Conselho o qual será submetido à aprovação do Superior Provincial, salvo nos casos nos que o direito próprio estabelece que os regulamentos devam ser passados pelo Superior General.
[365] Nos casos de consulta e sempre que o estime conveniente, dirigir-se-á ao Superior Provincial, ao qual tem que enviar –ao menos cada três meses– relação exata do estado da casa, assim no relativo a pessoas como a coisas. Também deverá escrever ao menos uma vez ao ano ao Superior General e quantas vezes acreditasse necessário.
Artigo 2: Dos Conselheiros Locais
[366] O primeiro Conselheiro local é ao mesmo tempo Vigário e substitui em todas suas atribuições ao Superior durante sua ausência, enfermidade ou outros impedimentos, fora de cujos casos não goza de outras faculdades que aquelas que lhe delegar o Superior. Em caso de faltar o Vigário será substituído este pelo que lhe segue como Conselheiro segundo ordem rigorosa.
[367] O segundo dos Conselheiros de nomeação direta do Superior Local será arquivista local a cuja solicitude ficarão encomendados o despacho dos documentos locais e a conservação do arquivo de governo da casa.
[368] Em todas as casas do Instituto Missionário da Palavra haverá um sacerdote com o cargo de Ecônomo Local, sendo de sua incumbência a administração dos bens da casa sempre sob a direção do Superior Local; no cumprimento de sua função terá vigilância dos recursos e valores pertencentes à comunidade. O Ecônomo Local administra os bens da comunidade e dispõe os dispêndios necessários para a vida ordinária da mesma, de acordo com as normas estabelecidas pelo Superior Local; levará cuidadosamente o livro especial de entradas e saídas havidas na caixa da comunidade; dará razão do estado da mesma ao Conselho da casa, mensalmente e periodicamente ao Superior Provincial e sempre que assim o peça.
[369] Os sacerdotes, para ser nomeados no Conselho Local[354], além de ter as aptidões necessárias, têm que ter os votos perpétuos e ao primeiro deles lhe exige além 30 anos de idade. Duram no cargo por um período de 3 anos renováveis.
[370] Os Conselheiros Locais ficam obrigados a guardar absoluta reserva a respeito dos assuntos que lhe sejam consultados, embora tenham que informar com sinceridade, se lhes requer, ao Superior General e Provincial.

__________________________

[306] Cf. CIC, c. 620.
[307] CIC, c. 303.
[308] Cf. CIC, c. 725.
[309] Cf. CIC, c. 119, 1.
[310] Cf. CIC, c. 625, 3.
[311] Cf. CIC, c. 194.
[312] Cf. CIC, cc. 168-172.
[313] Cf. CIC, c. 625, 2. Esta norma vale se o Instituto for de direito diocesano.
[314] Cf. CIC, c. 119, 1.
[315] Cf. CIC, c. 177.
[316] Cf. CIC, c. 631, § 1.
[317] Cf. CIC, c. 595, § 1.
[318] Cf. CIC, c. 587, § 4.
[319] Cf. CIC, c. 581.
[320] Cf. CIC, c. 585.
[321] Cf. CIC, c. 598, § 1.
[322] Cf. CIC, c. 631, § 1, § 3.
[323]Cf. CIC, c. 623.
[324] Cf. Dt 1,17; 16,19; Sant 2,9.
[325] Cf. CIC, c. 137 e concordantes.
[326] Cf. CIC, c. 85.
[327] Cf. CIC, cc. 91 e 136.
[328] C.f. CIC, c. 90 e concordantes.
[329] Cf. CIC, c. 832.
[330] Cf. CIC, c. 194.
[331] Cf. CIC, c. 194.
[332] Cf. CIC, c. 636
[333] Cf. CIC, c. 127 § 1.
[334] Cf. CIC, c. 699 § 1.
[335] Cf. CIC, cc. 609, § 1; 610 y 616, § 1.
[336] Cf. CIC, cc. 585 y 616, § 1.
[337] Cf. CIC, c. 638, § 3.
[338] Cf. CIC, c. 647, § 1.
[339] Cf. CIC, c. 647 § 2.
[340] Cf. CIC, c. 684, § 1.
[341] Cf. CIC, c. 686, § 1, § 3.
[342] Cf. CIC, c. 688, § 2.
[343] Cf. CIC, c. 690, § 1.
[344] Cf. CIC, c. 127 § 1.
[345] Cf. CIC, c. 668, § 2.
[346] Cf. CIC, c. 127, § 1.
[347] Cf. CIC, c. 127, § 2.
[348] Cf. CIC, c. 657, § 2.
[349] Cf. CIC, c. 689, § 1.
[350] Cf. CIC, c. 665, § 1; Cf. Cap. IV, título “Para ausentar-se”.
[351] Cf. CIC, c. 610.
[352] Cf. CIC, c. 625, 3.
[353] Cf. CIC, c. 625, § 3.
[354] Cf. CIC, c. 627, § 1.

PARTE IX
ADMINISTRAÇÃO DE BENS
[371] Os bens do Instituto são bens da Igreja. Portanto em sua administração deve reger-se pelo direito canônico, por estas normas e pelas disposições do direito próprio. O Instituto, como pessoa jurídica[355], goza segundo o direito universal da Igreja do direito de comprar, possuir, administrar e vender bens temporais[356].
[372] O último responsável de todos os bens do Instituto é o Superior Geral.
[373] Todos os bens do Instituto são administrados pelo Ecônomo Geral que atua em dependência do Superior Geral.
[374] Os bens do Instituto, Províncias e Casas são administrados pelos ecônomos respectivos, sob a responsabilidade do Superior imediato, a quem manterão informado de todos os assuntos de sua competência[357].
[375] Os Ecônomos devem prestar contas regularmente de sua administração a seu Superior correspondente.
[376] Para aquisição de recursos deverá seguir qualquer meio lícito que não contradiga a forma de vida do Instituto, o qual estará determinado pelo Regulamento de Administração. Entretanto, o Superior Geral poderá excetuar alguns casos, consultando a seu Conselho.
[377] Para a validez de qualquer ato de disposição ou de administração que grave significativamente ao Instituto deve pedir o consentimento por escrito do Superior Geral.
     
[378] Deve-se “evitar qualquer aparência de luxo, lucro imoderado e acumulação de bens”
[358].
[379] Deve-se destinar, na medida do possível, algo para as necessidades da Igreja e para o sustento dos pobres[359].

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[355] Cf. CIC, c. 113, § 2.
[356] Cf. CIC, cc. 634, § 1; 1255.
[357] Cf. CIC, cc. 668-695.
[358] Cf. CIC, c. 634.
[359] Cf. CIC, c. 640.

PARTE X
SEPARAÇÃO DO INSTITUTO
[380] Em caso de separação do Instituto se seguem as normas do direito comum:
[381] Do trânsito a outro Instituto: CIC, cc. 684-685.
[382] Da saída do Instituto: CIC, cc. 686-693. Porém, se verifique o voto de perseverança.
[383] Da expulsão dos membros: CIC, cc. 694-704.

PARTE XI
A OBRIGAÇÃO DE OBSERVAR AS CONSTITUIÇÕES
[384] Todos os membros de nosso Instituto não só devem cumprir com a maior perfeição possível os conselhos evangélicos e a entrega a Jesus por Maria, senão também “ordenar sua vida segundo o direito próprio do Instituto e esforçar-se assim por alcançar a perfeição de seu estado”[360].
[385] Formam parte do direito próprio do Instituto as Constituições legadas pelo Padre Fundador, a Regra Monástica, os Diretórios –que contêm normas subsidiárias e práticas, aplicativas das Constituições–; os Regulamentos, as normas e documentos Capitulares; as disposições executivas dos Superiores; as tradições, sãs costumes, documentos próprios.
[386] “Em casos particulares o Bispo diocesano pode dispensar das Constituições”[361].
[387] Que a Santíssima Virgem nos ajude a alcançar ao Pai pelo Filho no Espírito Santo.
“Só Deus”[362].
São Paulo, 15 de Setembro de 2008.
Festa de Nossa Senhora das Dores
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[360] CI CIC, c. 598, § 2.
[361] CIC, c. 595, § 2.
[362] Deut. 32,20.

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